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O DESASTRE DA PONTE DAS BARCAS
O Porto destaca-se como um centro importante de actividades económicas, desde os princípios da nacionalidade, articulado com o rio Douro, que o protegia, como linha defensiva e, mais tarde, como meio de circulação de pessoas e mercadorias. A travessia do rio, ao longo do tempo, foi sendo feita com a ajuda de barcos, jangadas e barcaças. Há várias referências a pontes construídas utilizando barcas.
A primeira ponte, com projecto de Carlos Amarante, construída para perdurar, foi inaugurada a 15 de Agosto de 1806.Era constituída por 20 barcas ligadas por cabos de aço, podendo abrir em 2 partes para a passagem do tráfego fluvial. Foi nela que se deu o trágico acidente de 29 de Março de 1809.em que milhares de pessoas morreram afogadas. Fugindo às tropas francesas, precipitaram-se para a ponte, que não aguentou com o peso e cedeu. Quem vinha atrás, não se apercebendo do abismo, empurrou para a morte os que estavam mais adiante.
A Ponte das Barcas foi reconstruída, acabando por ser substituída pela Ponte Pênsil em 1843.
Actualmente, continua a reverenciar-se a memória destas vítimas da segunda invasão francesa com a colocação de flores e velas junto da lápide às “Alminhas da Ponte”, erigida no local do desastre.
Nota:
Este é já o 4º texto, aqui publicado, sobre o Bicentenário das Invasões Francesas. Tal como no princípio anunciámos (25/01/2008), prosseguiremos ao ritmo de dois artigos por mês. Para os leitores que queiram rever estes textos, e ter acesso a mais informações, foi criado na Internet o blogue LINHAS DE TORRES que pode ser acedido com este endereço:
http://linhasdetorres.blogspot.com/
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Do lado de cá, na Europa, a França na mudança de século assistia à irrupção de outro prodígio – Napoleão Bonaparte.
Quando começa o novo século, todas as ambições lhe são possíveis. Tem, ao virar dessa página do tempo, 31 anos. Nascera em 1769, na Córsega, meio italiano, meio francês. Carreira militar meteórica – general em 1793 – participou activamente nas vicissitudes da grande revolução iniciada na França em 1789. A carreira de Napoleão acompanhou os espasmos políticos que dilaceraram a França nesses anos. Sagaz e maleável, sabendo colher as oportunidades, passou praticamente incólume a tempestade da Convenção (chegou a ser preso por amigo dos jacobinos em 1794), soube adaptar-se em crescendo aos novos tempos, muito próprios afinal aos seus projectos. Dois anos bastaram para chegar à fama europeia: em 1796, consumadas as suas primeiras vitória militares em terras italianas, proclamava: “Povos de Itália! O exército francês vem quebrar as vossas grilhetas. O povo francês é o amigo de todos os povos. Para nunca mais os tiranos que vos têm subjugado!” .
São destas as tintas políticas de um génio da guerra que se cobre o manto “libertador” de Napoleão. Doravante, ele torna-se o pesadelo das velhas monarquias europeias. Pela Europa, muitos vêem-no como a personificação do Anti-Cristo. Naqueles reinos ainda absolutistas, socialmente de matriz feudal, Napoleão passa a ser visto como o portador temido da “desordem”, do “caos”, da “impiedade”, enfim.
Internamente, a carreira de Napoleão foi fulgurante: o caminho para consumar o poder despótico percorreu-o em meia dúzia de anos. Em 1802, desembaraçado de aliados menores, torna-se cônsul vitalício, para em 1804, se glorificar imperador dos Franceses, no cenário conciliador de Notre Dame de Paris, com a caução do Papa Pio VII, testemunha conveniente do quadro que David imortalizou em pintura.
Depois das turbulências do processo revolucionário, a figura de Napoleão emergia como a de um tipo novo de líder político. Incorporando certos conceitos e ideias liberais, atraía largas franjas da burguesia e boa parte até da aristocracia se lhe rendia. Muitas desconfianças se desvaneciam para quem via no imperador o instrumento da normalização e da afirmação da França no quadro europeu.
* Professor

