29/10/09
BADALADAS - TEXTO 38 - 25 SET 2009
PORMENORES IMPORTANTES
José NE Ermitão
Como foi referido no primeiro artigo sobre a 2ª invasão, as instruções do impera-dor francês indicavam claramente que, depois de Soult ter tomado o Porto, os generais Lapisse, estacio¬nado em Salamanca, e Victor, posicionado em Mérida, deviam também invadir o país; o primeiro marchando para Abrantes e o segundo atravessando o Alentejo para apoio à tomada de Lisboa.
Nenhum deles cumpriu as instruções dadas – e podemos interrogar-nos como te-ria sido a 2ª invasão se elas fossem cumpridas! – por falta de comunicação e articulação entre eles e por dificuldades militares, devidas ao estado de contínua revolta dos espanhóis. Mas não só: Lapisse não entrou no território português devido, sobretudo, à actuação da Leal Legião Lusitana.
A LEAL LEGIÃO LUSITANA (LLL)
Formada em Inglaterra por militares emigrados do país durante a 1ª invasão, ao núcleo inicial juntaram-se outros portugueses, sobretudo do Porto, quando foi transferida para Portugal. No quadro da organização da defesa do país, um batalhão com cerca de 1500 homens foi colocado em Almeida, sob o comando de Robert Wilson, com o objectivo de evitar a progressão francesa por esta via.
Internando-se em Espanha até Salamanca e usando tácticas de guerrilha, a LLL paralisou os movimentos de Lapisse durante três meses, flagelando-o continuamente, e cortou-lhe as comunicações com o general Victor. Lapisse acabou por ter de abandonar as posições sem cumprir o objectivo assinalado por Napoleão. De volta ao país, a LLL foi apoiar o exército luso-britânico no seu movimento contra Soult.
WELLINGTON EM ESPANHA
Expulso Soult, a preocupação de Wellington foi impedir que o general Victor invadisse o país pelo Alentejo. Assim, faz descer o exército para Coimbra (finais de Maio) e concebe um plano de campanha assente em três pontos: derrotar Victor, impedir a sua junção com Soult (já à frente de outro exército francês) e avançar para Madrid. Entrega a defesa de Trás-os-Montes a Francisco da Silveira, envia Beresford para Castelo Rodrigo, para lhe proteger o flanco esquerdo, e dirige-se para Talavera de la Reyna onde se reúne com as tropas espanholas do general La Cuesta (21 de Julho).
O primeiro confronto com Victor dá-se a 22 de Julho, mas um desentendimento com La Cuesta não permite continuá-lo e o general francês aproveita para se retirar. Re-gressa no entanto a 25, reforçado com tropas vindas de Madrid, dando-se o com-bate a 27 e 28. Wellington derrota os franceses, embora a vitória seja um tanto ambígua pois vê-se sem condições para a explorar. Não podendo rumar a Madrid, com problemas de aprovisionamento e de relacionamento com la Cuesta, falhando-lhe Beresford na protecção do flanco esquerdo (Beresford demonstra não ser um general de campanha), não tem outra alternativa senão abandonar a posição e regressar a Portugal, por via de Mérida, Badajoz e Elvas.
Entendida numa perspectiva global, pode dizer-se que a 2ª invasão francesa só fi-ca definitivamente resolvida na batalha de Talavera, em finais de Julho de 1809. O general Victor não invadirá o país.
ENTRETANTO O GOVERNO...
Durante este período os governos do Rio de Janeiro e de Lisboa não estão inactivos. No Brasil, a acção política orienta-se no sentido do alargamento do território, com a conquista da Guiana francesa, do desenvolvimento económico e da criação das adequadas instituições administrativas e jurídicas tendentes a fazer do Brasil e do Rio o centro do império.
Em Lisboa, em Março, os governadores ordenam a perseguição aos suspeitos de «francesismo», especialmente os membros da maçonaria, que são presos e colocados em residência fixa, e decretam penas rigorosas para os portugueses que colaborem com os invasores; ao mesmo tempo apelam à população para que se una e lhes resista. Em Abril, convocam todos os portugueses dos 16 aos 30 anos para voluntariamente se apresentarem no exército.
Neste domínio, o militar, é particularmente relevante a acção do governador Mi-guel Pereira Forjaz, encarregado dos negócios da guerra e estrangeiros, a quem se deve, com Beresford, a responsabilidade pela reorganização do exército português.
22/10/09

PROGRAMA INAUGURAL DAS COMEMORAÇÕES DOS
200 ANOS DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS
Novembro 2009 a Novembro 2010
Torres Vedras e as Memórias de uma Invasão: Um "Olhar" Entre Linhas e Fortes
Concurso Fotográfico
Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras
Destinatários: Fotógrafos
Concurso que procura evidenciar o impacto das Invasões Francesas e das comemorações num outro tempo, num outro espaço. Uma abordagem livre baseada nas lógicas de reportagem. No final realizar-se-á uma instalação fotográfica referente ao trabalho de campo realizado.
Info e Inscrições: Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, TLF.: 261 338 931/2 ou email: geral@ccctv.org
11 Novembro » Quarta » 16h00 às 19h00
Bicentenário das Linhas de Torres Vedras
Inauguração das Comemorações
Praça 25 de Abril e Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras
Programa
16h00 » Chegada de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva, seguida de Cerimónia Militar, com as respectivas Honras Militares e Homenagem aos Mortos
Praça 25 de Abril » Torres Vedras
17h00 » Sessão Solene de abertura das Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras, com a presença de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva
Praça 25 de Abril » Torres Vedras
17h30 » Inauguração da Exposição "Guerra Peninsular (1807-1814)"
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras
11 Novembro 09 a 30 Novembro 2010 » Terça a Domingo » 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Guerra Peninsular (1807-1814)
Exposição
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras
O Município de Torres Vedras inaugura no Museu Municipal Leonel Trindade a exposição dedicada ao tema da Guerra Peninsular, renovando o olhar sobre esse assunto com especial enfoque para as Linhas de Torres Vedras.
14 Novembro » Sábado » 22h00
Homens e Armas da Guerra Peninsular
Recriação Nocturna
Bares do centro histórico da Cidade de Torres Vedras
Pequenas recriações nocturnas, junto aos bares do centro histórico, com demonstrações do traje e do armamento.
Info pelo TLF: 261 320 749
Organização: Associação Leonel Trindade
29 Novembro » Domingo » 10h00 às 21h00
1.ª Feira da Memória
Recriação Histórica
Salão da Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta » S. Pedro da Cadeira
Feira reportada à época oitocentista com a qual se pretende demonstrar a vivência da época no que respeita a costumes, tradições, gastronomia e vestuário. Poderá ainda visitar pequenas bancas com venda de produtos gastronómicos.
Organização: Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta
21/10/09
O Almirante Nelson comandando 27 navios ingleses, derrotou uma armada franco-espanhola de 33 navios, na batalha do Cabo Trafalgar, na costa sul de Espanha.
A ambição de Napoleão de invadir a Inglaterra por mar ficou aqui definitivamente afundada.
Nelson morreu nessa batalha, atingido pela bala de um atirador isolado. Com ele, mais 1500 ingleses. As baixas do lado francês ascenderam a 14 000 homens e 19 navios destruídos. Todos os navios ingleses regressaram a Inglaterra.
Trafalgar Square, em Londres. Ao meio, a coluna de Nélson, com a estátua do almirante que derrotou os franceses. 
prepara exposição "Guerra Peninsular" (1807-1814)
No próximo dia 11 de Novembro o Museu Municipal Leonel Trindade inaugura a exposição "Guerra Penínsular" (1807-1814) que ficará patente até Novembro de 2010 e que marcará o arranque das comemorações do bicentenário das Linhas de Torres Vedras.
O programa das comemorações foi ontem apresentado publicamente em conferência de imprensa realizada nos Paços do Concelho, na qual estiveram presentes o Presidente da Câmara, Carlos Miguel e o Comissário para as Comemorações, Manuel Clemente, Bispo do Porto ( natural de Torres Vedras, livenciado em História e investigador da História Local desta cidade).
O programa é muito extenso e diversificado, com actividades que decorrerão entre Novembro deste ano e Outubro de 2010. O seu arranque será no próximo dia 11 de Novembro, Feriado Municipal, e contará com a presença do Presidente da República.
Aqui divulgaremos o programa quando tivermos o suporte informático.
FOI HÁ 199 ANOS...
Em Outubro de 1809, estando o exército anglo-luso acantonado nas margens do Guadina, Wellington deslocou-se a Lisboa e, na companhia do coronel Murray e do tenente-coronel Fletcher, percorreu durante alguns dias os terrenos a norte de Lisboa (1), deixando instruções para este último, num documento datado de 20 de Outubro de 1809, documento que ficou conhecido pelo “Memorando Fletcher”.
15/10/09
UM DIA DE CÓLERA
05/10/09
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL EM OEIRAS
No dia 18 haverá uma visita guiada às 1ª e 2ª Linhas de Torres Vedras e no dia 25 à 3ª Linha.
Para mais informações e inscrições:
http://oeirascomhistoria.blogspot.com/2009/09/encontram-se-decorrer-as-inscricoes.html
21/09/09
RECRIAÇÃO HISTÓRICA EM AMARANTE

Este é o programa comemorativo dos 200 anos da Guerra Peninsular, em Amarante.
A recriação foi organizada pela Câmara de Amarante, sendo a primeira iniciativa do programa das Comemorações, 2ª invasão francesa, assinalando o episódio de defesa da ponte de Amarante.
NOTÍCIAS SOBRE AS LINHAS DE TORRES VEDRAS
Basta clicar na ligação:
http://vedrografias2.blogspot.com/
13/09/09
BADALADAS - TEXTO 37 - 11 SET 2009
A 2ª INVASÃO FRANCESA
DOS ANÓNIMOS AO BRIGADEIRO SILVEIRA
José NR Ermitão
A 2ª invasão teve, em relação às restantes, características distintas: foi de curta duração (dois meses e uma semana); os franceses dominaram uma área exígua (de for-ma firme, o Porto e arredores; de forma incerta, a região entre Douro e Minho); o exército invasor não só foi isolado da retaguarda espanhola (nenhum correio de Soult chegou ao destino) como combatido, desgastado, desmoralizado e algumas vezes vencido por uma feroz resistência de base popular, guerrilheira e militar.
Pela primeira vez, sem ajuda exterior, os portugueses enfrentaram e desgastaram o exército francês invasor – e tão completamente que quando o exército luso-britâ- nico se aproximou, aos franceses nada mais restou senão fugir e rapidamente.
OS ANÓNIMOS
Os populares que, abandonando as povoações, levam consigo os alimentos e as-sim esfomeiam os franceses; os que resistem e morrem na defesa de Braga, na passagem das pontes, no Porto, em Ponte de Lima, em Amarante; os que “a coberto dos ro-chedos e das oliveiras, se infiltravam até... (ao) acampamento (francês) e disparavam sobre as... tendas e... cavalos” (Le Noble); ou o que “cuja coxa lhe foi partida... (e) sem abandonar a arma teve a coragem de, deitado de lado, apontar e matar um graduado... (ou o) ancião de cabelos brancos, entrincheirado atrás de um penedo com uma espingarda... (que feriu) três homens e cinco cavalos... (de Naylies). Os que passam barcos a Wellington para poder entrar no Porto.
Os ordenanças, milícias e soldados que formam o exército português, mal armados, indisciplinados, capazes de disparates mas também de resistir e de derrotar os franceses quando devidamente organizados e comandados. E os que formam as guerrilhas que atacam os correios, os flancos e a retaguarda dos franceses, desesperando-os. Os populares, as “pessoas de bem”, os eclesiásticos e os estudantes de Coimbra...
OS COMANDANTES
Os comandantes militares que enfrentaram e combateram os invasores. O general Bernardim Ribeiro, que impediu Soult de atravessar o rio Minho e que, por considerarar a impossibilidade da defesa de Braga, foi acusado de traidor e brutalmente assassinado pela população e ordenanças desvairados. O general Botelho, que resistiu em Ponte de Lima, tomou Braga e Guimarães aos franceses e, depois, se juntou a Silveira. E outros, até estrangeiros, como o barão de Eben, que conseguiu manter a resistência em Braga durante três dias, e Robert Wilson. Tantos outros...
O BRIGADEIRO SILVEIRA
Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira (1763-1821), a quem o governo nomeou para chefiar a região militar de Trás-os-Montes e cujo exército era uma amálgama de tropa regular, milícias mal armadas, ordenanças desenquadrados e voluntários. Que retira da cidade de Chaves por a considerar indefensável, mas que ataca os franceses em Venda Nova e pouco depois retoma a cidade, impedindo assim as ligações de Soult com a Espanha.
Que, movimentando-se a oeste e a leste do rio Tâmega, enfrenta os franceses, resiste-lhes em Amarante durante duas semanas e, sempre em movimento, reconquista depois Vila Real e combate Loison, perseguindo-o até Guimarães. Que pede socorros a Beresford mas que este não lhe concede. Que combate só com os recursos de que dispõe, às vezes desesperado – “assim um homem só não faz nada”, escreve ele a Beresford – sobretudo depois do que ele sentiu ser uma derrota, a perda de Amarante, mas que foi afinal a sua grande vitória: ter impedido a progressão francesa para leste ao resistir-lhe durante duas semanas.
O primeiro chefe militar português que derrotou exércitos franceses e que, pelas acções posteriores no país (impedindo os franceses de passar o Douro no inverno de 1810/11 e outras) e em Espanha (tomada de Sanábria, batalha de Vitória e batalhas nos Pirinéus), foi reconhecido – pelo nosso governo, pelo espanhol e pelo inglês – como o mais notável general português da Guerra Peninsular. Um tanto esquecido depois: a his-toriografia liberal não lhe perdoará a recusa em aderir à revolução de 1820...
Passados o tempo e os preconceitos é tempo de lhe dar o devido valor.
30/08/09
BADALADAS - TEXTO 36 - 28 AGO 2009

Um outro lado das invasões francesas nas Memórias do marechal Soult
Manuela Catarino
As preocupações de um homem da guerra não se fixam apenas na quantidade de efectivos militares de que dispõe, nem no poder fogo das máquinas bélicas, nem tampouco na estratégia militar a desenvolver. Outros aspectos têm de ser devidamente acautelados, quer no cumprimento das leis a que expressamente deve obedecer, quer nos diferentes componentes da estrutura que chefia.
Esta reflexão surge-nos a propósito de um relato feito na primeira pessoa por uma das figuras da segunda invasão francesa – o marechal Soult – ao lermos o texto recentemente publicado por Livros Horizonte, com introdução e notas de António Ventura, traduzido em português sob o título Memórias do Marechal Soult: Sobre a Guerra em Espanha e Portugal.
Em Fevereiro de 1809 a propósito da sua entrada em Portugal, procurando uma passagem para Chaves, relata ele de forma sucinta: O exército ia-se arriscar por caminhos muito maus onde a artilharia não podia passar. Resignei-me a não levar comigo mais do que uma vintena de peças ligeiras e a deixar o resto, bem como os parques, o hospital e tudo o mais que não podia seguir o exército, num grande depósito que instalei em Tui, sob as ordens do general Lamartinière. Estava decidido a mandá-lo buscar assim que chegasse ao Porto” (Ibidem p.43).
A 12 de Março de 1809, depois da capitulação da cidade flaviense, Soult manda instalar aí um depósito de doentes, sob a protecção de uma pequena guarnição enquanto prossegue a marcha para Braga em situação de combate permanente.
Mais tarde, já depois da ocupação do Porto pelas forças francesas, o próprio marechal justifica a escolha que fizera: Quando este depósito foi criado, para tratar e proteger dos habitantes os nossos primeiros feridos e doentes não transportáveis, a minha única finalidade era conseguir-lhes uma boa capitulação que lhes permitisse juntarem-se-me algures, depois da paz assinada em Lisboa” ( Ib. p.57).
O evoluir dos conflitos, contudo, irá contrariar as suas previsões. Ainda, de acordo com o seu testemunho, virá a saber que esse depósito de doentes, bem como a guarnição de cem homens que asseguravam a sua guarda tinham sido obrigados, após oito dias de bloqueio, a capitular. Muitos desses infelizes tinham sido massacrados no trajecto de Chaves para Lisboa (Ib. p.57)
A atitude dos habitantes de Tui merece-lhe reparo, quando, nas suas palavras, recusaram os bens mais necessários aos doentes (Ib.p56). Aliás é exactamente a vivência dos franceses, aí cercados pelas milícias portuguesas e espanholas, que merecem para Soult, uma descrição mais exacerbada: A situação do depósito era crítica na altura em que o bloqueio foi levantado. Dos 3400 homens que compunham a guarnição apenas sobravam 1500 em estado de prestar serviço. Os hospitais tinham falta de medicamentos, a febre reinava e levava todos os dias vários soldados. Já não havia vinho, dois terços dos cavalos do parque tinham sido comidos. (Ib. pp.55-56).
Melhor destino tiveram os franceses que integravam a retirada das forças em Baltar, quando Soult, tendo no seu encalço os exércitos português em Amarante, e inglês no Porto, se dirige para Montalegre. As ordens do marechal são explícitas: De alvorada, a artilharia estava destruída, todas as bagagens queimadas, as munições de infantaria e os feridos em cima dos cavalos de artilharia […] O ponto mais importante estava alcançado. O corpo de exército todo reunido não deixando nenhum homem para trás. (Ib. p.70)
Parece-nos importante realçar esta última frase do marechal no sentido em que sabemos que durante as campanhas militares a assistência médica imediata nos campos de batalha não é a primeira das preocupações dos estrategos. Moribundos e cadáveres vão juncando os cenários de guerra, abandonados à sua sorte, enquanto que feridos ou doentes, apoiados nos seus camaradas de armas, se arrastam até aos hospitais de campanha. Estes, posicionados em local mais resguardado, nem sempre asseguram as melhores condições médicas e de higiene, e a maior ou menor experiência dos cirurgiões procura milagres para não aumentar a contabilidade das baixas…
Na Península os exércitos napoleónicos contaram, no entanto, com a abnegação e a prática médica pioneira de um homem que passará a ser conhecido como “ Providência do soldado”- o cirurgião Dominique Jean Larrey. Mas, infelizmente para os soldados de Soult, ele não acompanhou a deslocação do 2º corpo da Grande Armée. Dele falaremos no próximo artigo.
SUPLEMENTO DO JORNAL BADALADAS, 14 AGOSTO 2009
A SEGUNDA INVASÃO FRANCESA
José NR Ermitão
CONQUISTA DE CHAVES
No dia 8 de Fevereiro de 1809, Soult e o seu exército marcham de Santiago de Compostela para a fronteira portuguesa, com o objectivo de atravessar o rio Minho e descer em direcção ao Porto. Frente ao rio, Soult sofre as primeiras contrariedades: o grande caudal que, devido à chuva, o transforma em barreira difícil de transpor e o dispositivo de defesa organizado pelo general Bernardim Freire na margem portuguesa.
Os franceses fazem três tentativas para atravessar o rio, a 13 e 16 de Fevereiro, próximo de Valença, Caminha e Cerveira, tentativas que são rechaçadas pelas forças mi-litares portuguesas. Assim, Soult vê-se forçado a um novo percurso: subir até à cidade de Orense, descer pela linha do Tâmega e entrar em Portugal pela fronteira de Chaves – um caminho péssimo e cheio de riscos, que cansava as tropas e as expunha aos ataques da guerrilha espanhola.
Realizado o percurso alternativo à custa de perdas várias, os franceses aproximam-se da fronteira, atravessam-na a 10 de Março e dirigem-se para Chaves. O brigadeiro Francisco da Silveira, responsável militar da região de Trás-os-Montes, percebe a impossibilidade de defender a cidade frente ao exército de Soult e ordena a retirada.
Populares desesperados pelo medo dos franceses, diversos elementos do exército, milícias e ordenanças, não acatam a ordem de retirada e tentam resistir, mas são derrotados pelos franceses, que tomam a cidade no dia 11 de Março. Soult faz de Chaves o ponto de ligação com a Espanha.
CONQUISTA DE BRAGA
A 14, o exército francês inicia a marcha em direcção a Braga. Neste percurso os invasores começam a sentir as garras da resistência popular. As palavras são de Soult: “A nossa marcha de Chaves para Braga foi um combate contínuo. Tinha de me haver com toda a nação: todos os habitantes, homens, mulheres, crianças, velhos e padres, estavam em armas; as aldeias estavam abandonadas, mas os desfiladeiros bem defendidos”.
A resistência também é de natureza militar: o brigadeiro Silveira ataca a retaguarda e os flancos dos franceses na área de Venda Nova e Cabeceiras de Basto; e no caminho para Braga os franceses tiveram de travar combates em Ruivães, Salamonde, e sobretudo nos arredores de Braga, durante três dias (7, 18 e 19 de Março), antes de tomarem a cidade. O exército português, na incapacidade de ofensivas frontais, opta pela defensiva onde e quando possível, por ataques rápidos e mortíferos contra a retaguarda e flancos dos franceses e pela reocupação dos espaços por eles menos guarnecidos. População e militares empenham-se ainda na imobilização dos transportes e na captura dos correios franceses de modo a isolarem totalmente o exército invasor – o que conseguem.
Um ponto importante a referir: no dia 15 de Março, o general inglês Beresford assume o comando do exército português e inicia a sua reorganização.
As notícias da progressão dos franceses criam na cidade um grave ambiente de exaltação. O general Bernardim Freire, comandante militar da região do Porto e Minho, ao receber ordens dos Governadores do reino para dar prioridade à defesa do Porto e ao verificar a insuficiência das defesas de Braga em Carvalho d’Este e noutros pontos, decide-se pela retirada. População, numerosos militares, milícias e ordenanças, amotinam-se, acusam o general de traidor e assassinam-no barbaramente.
O barão de Eben encarrega-se da defesa da cidade e resiste durante três dias em Carvalho d’Este (17, 18 e 19 de Março), combate onde morrem mais de 2000 portugueses e dezenas de franceses. Só no dia 20 os franceses tomam a cidade, entretanto abandonada pela população. Comenta Le Noble: “... Braga apresentava-se à nossa imaginação provida de tudo quanto um exército necessitava. Mas qual o nosso doloroso espanto quando, ao entrar nela, a encontrámos deserta! Em três dias, vinte mil pessoas abandonaram a cidade... Que ódio contra o domínio estrangeiro! Que péssimo presságio para a condução da nossa expedição”.
Depois de cinco dias de paragem, Soult parte em direcção ao Porto em 25 de Março. Nesse mesmo dia Francisco da Silveira, depois de uns dias de combate renhido, reconquista a cidade de Chaves, cortando assim as ligações dos franceses com a Espanha, o que vai criar uma situação de total isolamento a Soult
Silveira, em seguida, movimenta as tropas para retomar Braga; só não o faz porque, tendo notícias de que o Porto foi tomado, decide posicionar-se na região de Vila Real. Mas Braga será retomada mais tarde, no dia 5 de Abril, pelo general Botelho.
CONQUISTA DO PORTO
No caminho para o Porto os franceses vêem aumentadas as dificuldades devido à guerrilha e à acção defensiva junto das pontes que tinham de atravessar. De salientar a fortíssima resistência da população e de alguns militares à passagem dos franceses nas pontes em Trofa e Santo Tirso – passagem conseguida à custa de combates violentos e de muitos mortos para ambos os lados.
No dia 27 de Março, Soult chega junto das defesas da cidade do Porto, a 28 cerca-a completamente, ordena o seu ataque, e no dia seguinte conquista-a. Esta rapidez na tomada da cidade tem causas civis e militares. Civil – o estado de anarquia da população, que mais se empenhava em assassinar supostos afrancesados traidores e que não aceitava qualquer disciplina; militares – inexistência de oficiais competentes (o próprio bispo se arvorou em general), obras de engenharia defensiva mal executadas, tropas regulares insuficientes e mal comandadas, milícias e ordenanças desenquadradas e quase sem armamento e artilharia disfuncional...
O que se seguiu é conhecido – a fuga em massa dos portuenses pela ponte das barcas em direcção a Gaia, com o afogamento de milhares de pessoas. Menos conhecida é a resistência no interior da cidade: milícias, ordenanças, populares e eclesiásticos cortam as ruas e disparam das janelas das casas e até do Paço do Bispo, causando aos invasores numerosas baixas. Esta resistência enfurece os franceses que, como escreve Beauchamps, “... chacinaram indistintamente os habitantes e praticaram todo o tipo de pilhagens e de crimes” durante o saque nos três dias seguintes.
O primeiro objectivo de Soult, a tomada do Porto, estava conseguido; mas a sua situação era a de completo isolamento em relação aos exércitos franceses em Espanha. Pior, estava cercado por uma activa resistência popular e militar que, sobretudo a leste, lhe haverá de cercear a liberdade de movimentos.
Soult vai tentar quebrar a situação de isolamento militar em que se encontrava desenvolvendo três frentes de progressão militar.
A primeira, para ocupar o Minho (de 5 a 13 de Abril) e estabelecer ligações com o exército francês na Galiza. Os franceses ocupam os centros urbanos mas não os campos: neles se movimentam guerrilhas que, por exemplo, capturam todos os correios franceses. E no Baixo Minho actua o general Botelho, que retoma Braga a 5 de Abril, donde é forçado a sair a 10 pelos franceses, mas que em seguida retoma Guimarães...
A segunda, em direcção ao sul, pretendia atingir Coimbra: os franceses ocupam Vila da Feira (a 17 de Abril) e Albergaria, e atingem o rio Vouga. O coronel Trant, nomeado por Beresford para o governo civil e militar de Coimbra, organiza a defesa da cidade e barra a progressão francesa no Vouga.
A terceira, em direcção a leste, com o objectivo de dominar Trás-os-Montes e a Beira Alta, aniquilar o exército de Francisco da Silveira e conseguir uma via de comunicação com os exércitos franceses em Espanha. Tentativa fracassada pela impressionante resistência portuguesa em Amarante e áreas circundantes, chefiada por Silveira, e que constituiu o toque de finados da 2ª invasão.
Politicamente, Soult ensaia uma política de apaziguamento de que resultou um grupo de bracarenses e outros nortenhos, suplicarem a Napoleão “se dignasse nomear um príncipe... para ocupar” o trono português. Episódio com mão óbvia de Soult e sem mais consequências...
RESISTÊNCIA EM AMARANTE
Com o objectivo de abrir caminho para leste, os franceses ocupam Penafiel e dirigem-se para a ponte de Canavezes a 31 de Março. Penafiel fora abandonada pelos habitantes mas Canavezes e sua ponte estão bem defendidas, e tanto que os franceses retrocedem para Penafiel. A 7 de Abril, Soult envia reforços e nomeia para chefiar as operações o terrível general Loison.
A 9 de Abril, Silveira desloca-se de Vila Real para Amarante, onde se reúnem as tropas, milícias, ordenanças e voluntários das regiões próximas. Com um exército díspar de 6000 homens, sem quadros nem armamento suficientes, ataca Penafiel no dia 13, donde expulsa Loison. Perante o facto, Soult envia novos reforços – os franceses nesta área de acção passam a 9000, mais de 40% do total dos invasores.
Conseguem assim retomar Penafiel a 15 de Abril e dar combate ao exército de Sil-veira que, perante a superioridade francesa, retira para Amarante, onde os franceses en-tram no dia 18, após horas de combate e muita destruição. Os franceses ocupam a vila, na margem direita do rio Tâmega; os portugueses ocupam a margem esquerda do rio e impedem a tomada da ponte.
E durante duas semanas, de 18 de Abril a 2 de Maio, numa eficaz acção defensiva, em contínuos duelos de artilharia e de fogo de atiradores, os portugueses frustram todas as tentativas francesas para a tomada da ponte. Só a 2 de Maio, devido a nevoeiro e a deficiências da vigilância portuguesa, Loison consegue tomar a ponte e passar o rio. Silveira, vendo-se derrotado, desloca o exército para leste e margem sul do Douro.
Embora na posse deste ponto estratégico, Loison só irá progredir até Vila Real (3 de Maio), Mesão Frio e próximo da Régua, encontrando sempre a resistência de destacamentos do exército de Silveira. Em Vila Real (retomada por Silveira a 8 de Maio) os franceses tomam conhecimento “das grandes mobilizações que tinham sido feitas em Portugal, além do movimento do Exército Luso-Britânico em direcção ao Norte” (De Nayles). A 11 de Maio, Loison inicia o movimento de retirada, sempre acossado pelas tropas de Silveira, que o combate em Moure, a 12, levando-o a abandonar Amarante e continuando a persegui-lo.
Por onde passa, Loison deixa um rasto de destruição e morte. Mas é o princípio do fim da 2ª invasão: a resistência popular e o exército do general Silveira, sem auxílio exterior, combatem, esgotam e desmoralizam irreversivelmente os franceses.
FIM DA SEGUNDA INVASÃO
Em meados de Março de 1809, Beresford assume o comando do exército português e inicia o processo da sua reorganização. A 22 de Abril, acompanhado de 20000 homens, o general Wellington desembarca em Lisboa e toma o comando do exército britânico no país. Os dois chefes militares articulam-se e organizam o exército luso-britânico, que vai avançar para Norte, iniciando uma fortíssima pressão militar sobre os franceses.
Soult verifica a impossibilidade de resistir e decide a retirada, o que em muito facilita a Wellington a tomada do Porto. Em fuga, os franceses fazem explodir tudo o que lhes impede a rapidez de andamento (artilharia, carros de transporte e até o produto dos saques), desfazem-se da própria caixa militar e optam por um caminho difícil mas inesperado para os seus perseguidores.
Perseguido pelas tropas anglo-lusas, o exército francês tem ainda de enfrentar a resistência desesperada das milícias e dos populares, que fazem guerrilha por todo o lado, matando centenas de soldados invasores. Devido ao caminho imprevisto que escolheu e às horas de avanço que tem, Soult consegue escapar, evitando uma derrota fatal. Mas tem de enfrentar as dificuldades do caminho, um tempo invernoso, a fome, doença e exaustão dos soldados, as pontes de Saltadouro e de Misarela, cujas trágicas passagens tiveram de ser conquistadas violentamente.
Soult, à frente de um exército em estado moral e material calamitoso, atravessa enfim a fronteira da Galiza de 17 para 18 de Maio. Dos cerca de 23000 homens com que entrou no país conseguiu salvar pouco mais de 15000 – um bem trágico final para a “bela expedição” de que o imperador o encarregara.
Muito longe estariam os marechais de Napoleão, em 1809, quando procuravam cumprir as ordens recebidas, de que os seus planos de batalha, as suas memórias, os pormenores dos estandartes das suas companhias, ou, simplesmente as imprescindíveis ordens do dia, tudo sempre tão ciosamente guardado, estivesse hoje, para nós, à simples distância de um click…
A acessibilidade, que a rede nos permite, a Bibliotecas, Fundos Documentais, Museus, ou a espaços pessoais (os famosos “blogs”) onde se disponibiliza e partilha todo o tipo de informação, facilita a obtenção de dados que, de outra forma, seria impensável visualizar com a rapidez e fiabilidade que todos conhecemos. A propósito do tema “Invasões Francesas”, em particular a chamada 2ª Invasão, aqui deixamos nota de alguns “links” para uma pesquisa mais personalizada de quem se interessa por estas temáticas.
O município de Amarante, por ocasião das Comemorações da 2ª Invasão Francesa em Amarante, apresenta um interessante espaço com Galeria e Vídeo, excertos da Recriação Histórica, bem com alguma Bibliografia específica, entre outros aspectos.
Basta um click em http://amarantesegundainvasao.blogspot.com
Também a região de Albergaria-a-velha, outro dos cenários da 2ª Invasão, mereceu destaque, a partir de Março de 2009, nas postagens feitas e cruzadas com referências à História Local. Para saber mais: http://blogdealbergaria.blogspot.com
Outra forma de olhar sobre os espaços percorridos pelas tropas francesas é-nos apresentado pelo Grupo Portuense de Montanhismo. Recordando o percurso efectuado pelo II Corpo do exército francês, no mês de Maio de 1809, apresentam-se fotos e iconografia específica. Olhemos, pois, http://gpmcaminhadas.blogspot.com
Uma rápida e ilustrada pesquisa sobre Invasões Francesas poderá ser sempre feita n’O Portal da História. Neste mesmo espaço, o seu autor, Manuel do Amaral, apresenta um trabalho de investigação sobre as transformações verificadas no Exército Português entre 1793 e 1823, com particular incidência na iconografia do período das Invasões Francesas. Consulte-se : http://www.arqnet.pt
Figura incontornável neste tema é a do próprio Napoleão Bonaparte. De entre muitos e variados espaços que, na net, a ele se dedicam, merece atenção um blog que apresenta um conjunto assinalável de informação sobre a figura de Napoleão e o contexto em que viveu. Curioso o projecto que nele se apresenta – a juventude de Napoleão em Banda Desenhada. Texto em francês.
A visitar: http://napoleonbonaparte.wordpress.com
Os apaixonados pelas miniaturas poderão encontrar um vasto manancial de informação e expressivas fotografias num espaço peculiar. Ainda que escrito em francês, o seu autor surpreende quem o visite. Destacamos, neste caso, a área sobre La campagne d’Espagne, que inclui miniaturas e maquetas de várias situações ocorridas na campanha peninsular das forças napoleónicas. A não deixar de descobrir em : http://el-frances.over-blog.com
Tesouro inestimável que deixamos à consideração de quem quiser dispor de uma visita ao Arquivo da Torre do Tombo. Um documento iconográfico produzido pelo capitão Manuel Isidro da Paz, entre Fevereiro e Julho de 1812. Um álbum de desenhos a lápis retratando pormenores da vida militar, paisagens rurais, interiores, vida quotidiana, retratos, esboços, uniformes…
Para um primeiro relance : http://antt.dgarq.gov.pt consultando o link especifico – As Invasões Francesas – Eventos em Documentos

O PORTO E AS INVASÕES FRANCESAS -1809/2009. 4 vols, coordenação de Valente de Oliveira, edição conjunta do jornal PÚBLICO e da Câmara Municipal do Porto, 2009.
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TORRES VEDRAS E A SEGUNDA INVASÃO
Tudo se passou bem longe de Torres Vedras, ao contrário do que sucedera um anos antes, na primeira invasão. Mas sabia-se que a missão de Soult era chegar a Lisboa, vindo do Porto, pelo litoral. Se acaso não tivesse sido detido, Torres Vedras voltaria a sofrer a guerra do invasor. Havia, pois, que tomar providências. É o que vemos nestes dois excertos do Livro de Acordãos da Câmara Municipal de Torres Vedras, compilados por Venerando de Matos.
Torres Vedras fortifica-se
“Illustrissimos senhores vereadores:
“Tendo sido mandado por Sua Alteza Real para fortificar provizoriamente esta villa,” (Torres Vedras) “precizo par por em pratica o q se tem projectado que Vossas Senhorias me fornessão na manhã de segunda feira dez do corrente (...) na meia laranja da Ponte de Mentira o seguinte: trinta trabalhadores, dez enxadas, dez cêstos, quatro picaretas, duas paviolas e dois (...?) - Torres Vedras oito de Abril de 1809”
“Tenente Coronel de Enginharia; Cypriano José da Silva, encarregado pella Regencia em nome de Sua Alteza Real para a Fortificação d’esta villa”
(in Livro nº24 dos Acordão da Câmara Municipal de Torres Vedras (1802-1812), sessão de 8 de Abril de 1809, ff. 193v-194, AMTV) .
Torres Vedras melhora o sistema de comunicações
“Tendo-se estabelecido signaes em cazo de rebate para avizar os Povos pertencentes a esta capitania mór, se determinou por ser o metodo mais facil o uzarem de foguetes para o que se fazem precizos quatro duzias de foguetes de quatro respostas cada hum. Rogo portanto a Vossa Senhoria queira mandallos apromptar com toda a brevidade como tambem seis covados de sarafina ou outra qualquer fazenda encarnada que devem servir para signaes de Faxos”
(oficio do Governo Militar, datado de 6 de Abril de 1809, enviado à Câmara de T.Vedras, in Livro nº24 dos Acordão da Câmara Municipal de Torres Vedras (1802-1812), sessão de 8 de Abril de 1809, f.196, AMTV) .
José NR Ermitão
Na memória colectiva nacional a tomada do Porto pelos franceses durante a 2ª invasão estará sempre relacionada com o desastre da Ponte das Barcas.
Aterrorizados com a chegada dos franceses, uma multidão de portuenses tentou passar para Gaia utilizando a ponte de madeira assente sobre barcaças que então ligava as duas margens. A tragédia subsequente é arrepiante e conhecida. Apresentamo-la descrita por Arnaldo Gama (1828-1869) na obra O Sargento-Mor de Vilar, Episódios da invasão dos franceses em 1809.
Do romance citado, diz o próprio autor que «Não fiz mais do que ir às partes oficiais, aos escritos e manuscritos de alguns contemporâneos, copiá-los e dialogá-los. Um historiador pode escrever a história da 2ª invasão pelos feitos do meu Sargento-Mor de Vilar». De facto, a sua leitura oferece um vivo panorama da invasão desde o seu início até à tomada do Porto, da província do Minho no princípio do século XIX (seu estado social, movimentos populares, mentalidades), do estado do exército, da acção de alguns militares e outros importantes aspectos.
Seguiu-se depois aquela medonha quarta-feira de cinza, 29 de março de 1809, memorável nos anais do Porto pelas desgraças e atrocidades que nela tiveram lugar. (...)
Luís Vasques e o sargento (de Vilar) dirigiram-se à pressa para o lado da ponte. Precedera-os porém compacta e monstruosa massa de povo, que se lançava, correndo, para ela... mas apenas (os dois amigos) tinham dados uns passos para a frente, quando pararam assombrados por um grito pavoroso, medonho e terrível de agonia dilacerante... Era horrendo o espectáculo diante de que se achavam.
A meio da ponte, aquela massa compacta de fugitivos estava como que estacada diante de um abismo, pelo qual se sumiam, uns após outros, homens, velhos, crianças e mulheres; e mais atrás desse medonho sorvedouro, os parapeitos de madeira arrebentados vomitavam pelas aberturas milhares de pessoas sobre o rio.(...)
Depois que o bispo e o general Parreiras passaram para... (Gaia)... os que estavam de guarda à ponte fizeram levantar um dos enormes alçapões que ela tinha a meio, sem se lembrarem que era naturalmente por ela que a cidade se havia de esvaziar logo que os franceses se assenhoreassem das linhas.
Assim aconteceu. Os habitantes, dementados pelo pavor, correram à ponte, como estrada de salvação... Ao chegar junto dela, aquilo era uma massa compacta e apertadíssima onde mal se podia respirar – e aquela massa compacta lançou-se por ela... cada vez mais comprimida e cada vez mais alucinada... impelida pelo terror.
Ao chegar a meio da ponte estacou um momento... É que diante daquela massa compacta... estava um abismo, estava aquele terrível boqueirão, que a estupidez humana deixara após si ao fugir. As primeiras dezenas de pessoas sumiram-se de repente na voragem, sem terem tempo sequer para fazer um esforço para estacar, sem terem tempo para mais que para soltar aquele brado pavoroso de medonha agonia, aquele grito de alarme contra a morte, que de súbito e à traição se lhe abria debaixo dos pés... Todos pretenderam estacar, firmar-se, não ir mais avante; mas a força da impulsão, que lhes comunicavam os que vinham de trás, era mais forte do que a da repulsão da agonia dos que viam aos pés o abismo; e centenas e centenas de pessoas continuaram a sumir-se por aquele medonho boqueirão. Era um só brado de desespero o alarido... por fim as forças dos que resistiam puderam quase equilibrar-se com as dos que empurravam para a frente. O número dos que se sumiam pelo boqueirão abaixo começou a... (diminuir); mas a imensa (massa de gente)... comprimida nas extremidades, começou a alargar ao centro... sobre as guardas da ponte... (que) não puderam dilatar-se mais; estoiraram, e por aqueles dois enormes rombos lufaram imediatamente... centenares e centenares de pessoas.
(...) No rio, junto da ponte, viam-se milhares de desgraçados, aferrados uns aos outros... ora aparecendo, ora desaparecendo, e depois... deslizando em fieira, a debater-se sempre, pela corrente do rio abaixo. Mais além já eram cadáveres... que boiavam à tona da água; e só longe... é que aquela medonha pavezada se ia desfazendo pouco a pouco, pedaço a pedaço, até que de todo mergulhava e sumia.
O alarido dos que... se achavam subitamente em frente da morte e o dos que de terra presenciavam esta imensa desgraça, com a morte também a poucos passos... – porque os franceses desciam pela rua... abaixo, lançando um chuveiro de balas – era medonho, tremendol... Naquela meia dúzia de palmos de terra, naquela estreita ponte de madeira que se estendia sobre o Douro, representou-se naquele dia uma cena que compendiou em breve resumo tudo quanto a agonia e o pavor têm de mais...horroroso.(…)
A soldadesca corria desenfreada pelas ruas, arrombando casas, entrando nas já arrombadas, roubando tudo o que achavam em dinheiro e atirando os trastes (/móveis) e roupas para o meio da rua. Espancavam toda a gente, e cometiam toda a ordem de desacatos, sem respeitarem velhos, mulheres ou crianças... nem escaparam os conventos das freiras... Os excomungados não queriam senão botas e camisas; e de dinheiro só o metal... Aqui e ali via-se gente morta... fuzilavam por dá cá aquela palha qualquer homem... (...)
Aqueles três dias de saque foram três dias de inferno. Hoje o Soult saiu com uma proclamação, em que dizia que o Porto devia ser queimado por ter resistido, mas que ele lhe perdoava.
21/08/09
ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS NO FORTE DE ALQUEIDÃO

08/08/09
BADALADAS - TEXTO 35 - 7 AGO 2009
ÀS ARMAS, PORTUGUESES, ÀS ARMAS!
JOSÉ NR ERMITÃO
No artigo anterior referi que os Governadores do Reino, perante a possibilidade de uma nova invasão, emitem nos dias 9 e 11 de Dezembro de 1808 duas proclamações declarando o levantamento em armas de toda a nação contra os franceses. Porque terá sido a única vez na nossa história que proclamações destas foram feitas – a nação estava em perigo! – Transcrevo-as parcialmente (grafia actualizada).
Proclamação de 9/12/1808:
“ (...) portugueses, não basta ter uma vez vencido; é necessário para conservar a Liberdade opor uma barreira irresistível aos novos esforços do insaciável Napoleão... (...)
Às armas, portugueses, às armas! A necessidade exige que a massa da nação em-punhe as armas; e todas as armas na mão robusta de um defensor da Pátria são instrumentos decisivos da vitória. O governo vigia sobre a subsistência dos exércitos; e onde não chegam os recursos ordinários das rendas públicas suprem os donativos dos vassalos... (...) A Inglaterra, a generosa Inglaterra... nos vem dar o exemplo que devemos imitar. (...) E nós, mais do que ela interessados na defesa da nossa independência, ficaremos agora numa mole e insensível apatia? (...)
Portugueses, contra um inimigo poderoso e vigilante não deve haver descuido. Se não quereis ser vis escravos, se não quereis ver ultrajada a santa religião, vilipendiada a vossa honra, insultadas as vossas mulheres, trespassados das baionetas os vossos inocentes filhos e aniquilada para sempre a glória de Portugal, corramos todos a afrontar-nos com o inimigo comum, unamos as nossas armas às dos honrados espanhóis e às dos intrépidos ingleses... A Nação que quer ser livre nenhuma força a pode tornar escrava. Uma Nação levantada em massa tem uma força irresistível. (...).”
Proclamação de 11/12/1808
Que todas as Câmaras... remetam no espaço de oito dias... (ao) Governador de Armas da respectiva província, uma relação das pessoas que... forem mais capazes para as comandar... que todos os Generais encarregados dos Governos das Armas (regiões militares)... examinem o estado das Companhias, nomeiem para oficiais delas... (quem) julgarem mais dignas e capazes..; (...)
Que todas as Companhias se reúnam nas suas povoações todos os domingos e dias santos para se exercitaram no exercício das armas que tiverem e nas evoluções militares, compreendendo todos os homens de quinze até sessenta anos. (...)”
E termina ordenando a pena de morte a quem se recusar à defesa do país ou auxilie o inimigo, e o arrasamento das povoações que não se defendam ou colaborem com o inimigo.
Como também foi referido no anterior artigo, a situação do exército era péssima. E a correspondência do general Bernardim Freire, tanto revela essa situação como a vontade popular em resistir e em se defender: “De toda a parte se queixam de falta de munições e de meios de defesa... (...) entretanto o que dá muitas esperanças é o muito que os povos parecem animados a defender a nossa causa”; “a cada passo me lastimo do estado em que se acha a nossa tropa, armada... com chuços e espingardas sem baionetas...sem oficiais capazes de as comandar”. Mas “anima muito observar a boa vontade que o povo em geral mostra em se defender e que resiste a todas as privações...”.
Faltam armas, munições e organização, haverá mesmo momentos de anarquia que inutilizam o valor da intervenção popular – mas é com um exército onde o elemento popular (milícias e ordenanças), militarmente enquadrado, supera a tropa regular que se vai organizar a tenaz e vitoriosa resistência contra os invasores.
05/08/09
FRENTE OESTE - TEXTO 24 - 16 JUL 2009

As Guerras Napoleónicas deixaram marcas profundas na sociedade portuguesa. Ao longo do século XIX, e até hoje, elas repercutem-se sem cessar quer na memória popular quer na História e na Literatura. Este fenómeno não é único em Portugal. Não só na Inglaterra e em França, mas também em muitos outros países, há uma imensa biblioteca que se debruça sobre esta época, mostrando expressivamente que ela é a porta da modernidade política, social e cultural europeia.
Registamos hoje um apontamento de um nosso leitor e colaborador, sempre atento e oportuno, que no-lo enviou como exemplo desta realidade.
Aquilino Ribeiro (1885/1963) num dos seus últimos grandes romances, A Casa Grande de Romarigães (1957), uma crónica romanceada através de nove gerações de um morgadio do Alto Minho, dá-nos a conhecer, quer o modo de vida e as relações inter-sociais coevas, quer episódios da nossa história com relevância local. Como não podia deixar de ser, num dos capítulos deste livro são descritos alguns episódios da segunda invasão francesa, dos quais transcrevemos este:
"Soult era, por temperamento ou cálculo, mais moderado que os outros marechais de França que comandaram as tropas de invasão e procurou reprimir as suas feras.
Chegou mesmo, à semelhança das abelhas que batem as asas à porta do apiário, a dar lugar com suas anaçadas atitudes a que um hausto de refrigério aliviasse em seus transes a terra acalcanhada. Dado o seu génio clemente e generoso, o melhor era a gente entregar-lhe corpos e almas. E uma embaixada dos 36 maiores do Distrito, tonsurados e bacharéis, banqueiros e industriais, foi ao Porto dizer-lhe:
- O nosso rei fugiu para o Brasil e é um covarde, um traste, um biltre indignamente ungido de Deus; é provável que nas âmbulas só houvesse azeite rançoso. Ninguém lhe tinha respeito, a mulher fartou-se de lhe sujar as barbas. Arranje-nos outro, Mossiú, que nós aceitamo-lo. Mas arranje-no-lo depressa, que isto de povo sem um reizinho é como cego sem bordão. E aqui para nós: bem empregado pontapé que Mossiú Junot lhe deu na bunda! Agora diga-nos: Quando é que nos arranja um sucessor...?! Nós não podemos passar sem rei, não podemos, venha ele donde vier, de casa ou de fora, feito ao torno ou filho duma saca de maganas. Tome nota, Mossiú...
O duque da Dalmácia viu-lhes os rostos contorcionados pela angústia e o olhar dúbio; ouviu suas palavras pressurosas a jurar pelo pai, pela mãe, por Cristo - e avaliou à justa do que valia aquela delegação de carneiros. Teve dó, teve nojo?! Limitou-se a despedi-los com irónica amenidade e duas palavras de falso agradecimento, em nome do Imperador."
FRENTE OESTE - TEXTO 23 - 9 JUL 2009

Tem um papel muito activo em combates e acontecimentos, relacionados com a defesa da Grã-Bretanha na política internacional, destacando-se a sua participação na luta contra o bloqueio continental, contabilizando êxitos militares que lhe proporcionarão o desenvolvimento de uma carreira que o celebrará.
Em 1807, seguiu com a expedição que bombardeará Copenhaga, iniciando a reacção Inglesa ao bloqueio, mas será na Península Ibérica que a sua acção contra os franceses vai somar êxitos, ficando ligado à História dos países peninsulares.
Desembarca na Figueira da Foz, em 1808, vencendo as tropas de Junot, em Roliça e Vimeiro, assinando posteriormente a Convenção de Sintra, que pelas facilidades de retirada dadas aos franceses, foi muito contestada, mas Wellesley, sai ilibado, em tribunal militar, desta responsabilidade.
Regressa à Península somando êxitos, em Espanha, a vitória de Talavera (1809) e a de Vitória (1813), em Portugal a do Buçaco (1810), expulsando os franceses com o apoio das linhas defensivas de Torres Vedras.
Mas o auge da sua carreira militar foi conseguido com a derrota imposta às tropas de Napoleão Bonaparte em Waterloo, em 1815, contribuindo para o afastamento definitivo daquele, da cena política europeia.
Ser-lhe-ão atribuídos títulos de Conde de Vimeiro, Marquês de Torres Vedras e Duque de Vitória, o cargo de Marechal e o título de Primeiro Duque de Wellington.
As vitórias militares de Wellington, o “duque de ferro”, nas guerras napoleónicas favoreceram a sua ascensão a altos cargos do governo britânico. Foi nomeado comandante-chefe do exército britânico, 1827, desempenha um papel de destaque no partido conservador, e ocupa o cargo de primeiro-ministro entre 1828-30, ficando o seu governo ligado à publicação da lei de tolerância para com os católicos.
Tanto em vida como depois da sua morte, dedicaram-lhe muitas homenagens e monumentos, servindo de exemplo uma preciosa baixela de prata, desenhada e feita pelos melhores artistas e artífices portugueses, (Domingues Sequeira…) que marca uma época na história da arte portuguesa.
Morreu em 1852 tendo sido sepultado com grande pompa, na Catedral de S. Paulo, em Londres.
05/07/09
FRENTE OESTE - TEXTO 22 - 2 JUL 2009

A Associação de Defesa do Património na comemoração dos 200 anos
da Guerra Peninsular
Foi criada, nos finais do ano passado, uma Comissão Municipal para a Comemoração dos Duzentos Anos das Linhas de Torres Vedras – CM200, na qual se incluem diversas entidades representativas da vida cultural torriense, entre elas a Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras (ADDPCTV). Ao mesmo tempo foi pedida a participação de todas as Associações, Escolas, etc, na elaboração de um Programa Municipal das Comemorações. Fizeram-se várias reuniões para ouvir toda a gente interessada no assunto e aguarda-se, para breve, a divulgação do Programa cujas actividades terão início em Outubro deste ano.
Para esse Programa a ADDPCTV propôs-se disponibilizar um SERVIÇO DE DIVULGAÇÂO HISTÓRICA SOBRE A GUERRA PENINSULAR, cuja concretização tem duas fases complementares. A primeira consiste na publicação de textos de divulgação histórica nos dois semanários torrienses, escritos por pessoas ligadas à História ou interessadas pela História. Esta fase iniciou-se em Janeiro de 2008, no semanário “Badaladas”, com a série “Bicentenário das Invasões Francesas”, onde já foram publicados 33 textos, numa cadência quinzenal, e um Suplemento de 4 páginas. Em Janeiro de 2009 iniciou-se, no semanário “Frente Oeste”, a publicação da série “Imagens da Guerra Peninsular”, em cadência semanal, tendo já sido publicados 22 textos. A divulgação destes textos irá prosseguir até finais de 2010, estando prevista a edição de um livro com uma selecção do que foi publicado. Simultaneamente foi criado um Blogue ( http://linhasdetorres.blogspot.com/ ) onde estão a ser reunidos aqueles textos, bem como outros dados de interesse para o conhecimento da época histórica das invasões francesas.
A segunda fase do Serviço acima referido consiste na realização, entre Outubro de 2009 e Outubro de 2010, de palestras sobre a Guerra Peninsular, nos locais que as solicitem: Juntas de Freguesia, Associações Recreativas, Culturais e Desportivas, Lares, Centros de Dia, Escolas…
A ADDPCTV está a realizar contactos com estas entidades, no sentido de as sensibilizar para estas realizações, esperando contribuir, assim, para o aprofundamento da memória colectiva, base necessária da nossa identidade cultural.
Contactos da ADDPCTV: addpctvedras@gmail.com
Apartado 50, 2564-909 TORRES VEDRAS
Av. Tenente Valadim, 17, 2º 2560-275 TORRES VEDRAS
BADALADAS - TEXTO 34 - 10 JUL 2009
A 2ª INVASÃO FRANCESA (2)
TUDO VAI SER DIFERENTE
JOSÉ NR ERMITÃO
Depois da derrota de Junot, da saída dos franceses de Portugal e da restauração da Regência portuguesa (18 de Setembro de 1808), o governo britânico deliberou apoiar abertamente a revolta espanhola. Assim, em meados de Outubro, a maior parte do exército britânico desembarcado em Portugal foi deslocado para Espanha, sob o comando do general Moore, movendo-se em direcção a Salamanca. Ao mesmo tempo, em finais do mesmo mês, tropas inglesas desembarcam na Corunha para reforçar aquele exército.
Em Salamanca, Moore toma conhecimento de que Napoleão conquistou Madrid, constata sérias dificuldades de entendimento com os exércitos espanhóis e decide retroceder para a Galiza. Em fins de Dezembro, Napoleão inicia a perseguição a Moore, perseguição que abandona a 1 de Janeiro de 1809 (para retornar a França) entregando o co-mando da expedição ao general Soult. Este prossegue no encalço dos ingleses que, apesar de esgotados, enfrentam os franceses próximo da cidade Corunha numa batalha que possibilita que o grosso do exército inglês embarque e se ponha a salvo.
Este movimento permite aos franceses a conquista parcial da Galiza; e é depois de instalado na cidade da Corunha que Soult recebe, a 28 de Janeiro de 1809, as instruções para invadir Portugal.
AS MUDANÇAS EM PORTUGAL
Exceptuando o mau tempo e os maus caminhos, a 1ª invasão francesa constituiu um passeio militar: o país estava política e moralmente desarmado devido à desorientação da Coroa e não ofereceu resistência militar aos invasores; pelo contrário, D. João or-denou que fossem recebidos e tratados como amigos. Só a partir de Junho de 1808 é que os portugueses se revoltaram e iniciaram acções de combate contra os franceses.
Na 2ª invasão tudo vai ser diferente: do primeiro ao último dia os invasores en-frentam uma feroz resistência que os desgasta, os desmoraliza e os derrota mesmo an-tes do auxílio britânico.
Os Governadores do Reino, depois de saberem da presença de Napoleão em Ma-drid e da retirada de Moore, tomam consciência de que Portugal seria a próxima presa do imperador francês e deliberam a reorganização militar do país. A 9 e 11 de Dezembro emitem duas proclamações declarando o levantamento em armas de toda a nação contra os franceses e tomam um conjunto de medidas para a reorganização do exército.
O estado do exército era lamentável: Junot tinha-o desorganizado e desarmado e os melhores quadros estavam ausentes do país. Assim, o governo apela a que os oficiais e soldados dos regimentos dissolvidos pelos franceses se reúnam de novo em locais determinados; criam-se unidades de infantaria e cavalaria; criam-se corpos de voluntários em Lisboa, Porto e Coimbra; definem-se cinco regiões militares e nomeiam-se generais ou brigadeiros para o seu comando – pelo seu papel na resistência contra o exército francês de Soult são de referir a região militar do Porto e Minho, sob o comando do general Bernardim Freire, e a região militar de Trás-os-Montes, comandada pelo brigadeiro Francisco da Silveira; e são restabelecidos os regimentos de milícias e de ordenanças, tropas de segunda e terceira linhas, de âmbito regional e local, mas de importância absoluta na ausência de um exército regular devidamente disciplinado, armado e treinado.
Por último, consciente das insuficiências do exército e da necessidade de as ultrapassar, o governo solicita à Inglaterra o envio de um general competente para comandar o exército português; Londres envia o tenente-coronel William Beresford, que é nomeado comandante do exército em meados de Março, quando a 2ª invasão está no início. Sem perdas de tempo, este irá reorganizar o exército português transformando-o numa má-quina bélica cuja eficácia será plenamente demonstrada contra Massena na 3ª invasão.
Por isso, quando Napoleão, nas instruções a Junot, considera que é “pouco presumível” que ele encontre “grandes obstáculos” na “bela expedição” de que o encarrega – a encarniçada resistência nacional vai demonstrar-lhe quanto estava errado: haverá mesmo grandes obstáculos e tantos que se traduzirão em mais uma derrota do seu im-perial exército.
BADALADAS - TEXTO 33 - 26 JUN 2009
A 2ª INVASÃO FRANCESA (1)
AS INSTRUÇÕES E A REALIDADE
JOSÉ NR ERMITÃO
No dia 28 de Janeiro de 1809, alguns dias após a ocupação da cidade da Coru-nha, na Galiza, o general Soult recebe instruções escritas de Napoleão para invadir Portugal pelo norte do país, tomar a cidade do Porto e marchar sobre Lisboa. Neste movimento de conquista, seria apoiado pelo general Lapisse, estacio¬nado em Salamanca, e pelo general Victor, posicionado em Mérida.
Lapisse deveria dirigir-se para Abrantes, depois do Porto ter sido tomado, e Victor deveria atravessar o Alentejo “em apoio do vosso movimento... (para Lisboa) caso en-contreis grandes obstáculos para a sua conquista, possibilidade pouco presumível”. As instruções referem datas – “Sendo hoje 21 de Janeiro, não podereis atingir o Porto antes de 5 de Fevereiro, ou Lis¬boa antes de 16” – e terminam com uma frase plena de optimismo: “O Imperador tem uma confiança ilimitada na vossa competência para a bela expedição de que vos encar¬rega”.
Soult dispunha de 24 000 homens, Lapisse de 8 000, e Victor de 22 000 – num total de 54 000 homens, distribuídos por infantaria (maioritária), cavalaria, artilharia e logística. Por ausência de comunicação e por dificuldades militares ocorridas em Espanha, os generais Lapisse e Victor nunca chegarão a invadir o país. E Soult, que tomou o Porto, encontrou dificuldades de tal modo insuperáveis que permaneceu em Portugal unicamente durante dois meses e uma semana: cruzou a fronteira a 10 de Março e, derrotado e em fuga apressada, abandonou o país no dia 17 de Maio de 1809.
MUDANÇAS EM ESPANHA
Ao insistir de novo na conquista de Portugal, Napoleão ou ignorava as mudanças ocorridas no país ou nada aprendeu com o fracasso da 1ª invasão, nem com o que se estava a passar em Espanha. A 1ª invasão ocorreu num quadro de amizade entre Napoleão e a Coroa espanhola, que colaborou com Junot na ocupação militar do país; no pe-ríodo da 2ª invasão toda a Espanha estava em estado de revolta contra os franceses.
De finais de 1807 a Fevereiro de 1808, Napoleão, embora continuando a protestar amizade com a Espanha, foi invadindo-a lentamente com 100 000 homens e ordenou a conquista das cidades de Pamplona e Barcelona. Quando a Corte espanhola percebeu os objectivos dos franceses era já demasiado tarde; uma facção aristocrática patriótica revoltou-se, obrigou o rei Carlos IV a abdicar e o seu filho, Fernando VII, tomou o poder. Madrid foi entretanto ocupada pelo general francês Murat e Napoleão, que não reconheceu Fernando VII como rei, chamou Carlos IV e o filho a Baiona, em França, e de forma sinuosa acabou por fazê-los abdicar a ambos em si próprio (30 de Abril de 1808). Para rei de Espanha, Napoleão resolveu nomear o seu irmão José.
Perante a ocupação francesa, toda a Espanha se revoltou a partir de Maio e Junho de 1808, formaram-se juntas governativas provinciais, ergueram-se exércitos patrióticos que enfrentaram os exércitos franceses e um deles, na batalha de Bailen (19-21 de Ju-lho), infligiu uma derrota devastadora ao exército francês.
Perante esta derrota impensável, os franceses abandonam em parte a Espanha; mas Napoleão resolve dirigir pessoalmente a campanha militar espanhola: entra em Es-panha a 3 de Novembro de 1808 com 200 000 soldados experientes e declara os seus objectivos: “Estou aqui com os soldados que venceram em Austerlitz, em Jena, em Eylau. Quem lhes vai resistir? Certamente que não vão ser as maltrapilhas tropas espanholas que nem combater sabem. Conquistarei a Espanha em dois meses e adquirirei sobre ela direitos como conquistador.” Derrota de facto os exércitos espanhóis, entra em Madrid a 4 de Dezembro, reafirma José como rei de Espanha e ameaça com repressão violenta quem se opuser os seu domínio.
Mas os espanhóis são resistentes pertinazes, são auxiliados pela Inglaterra, reerguem novos exércitos e aplicam um novo e eficaz modo de combate: a guerrilha. As maltrapilhas tropas espanholas enfrentam os exércitos franceses, derrotam-nos, desgastam-nos, desmoralizam-nos – e tanto que Napoleão reconhecerá anos mais tarde que “essa maldita guerra de Espanha... perdeu-me”. De facto, foi na Península Ibérica que se iniciou o seu fim.
22/06/09
FRENTE OESTE - Texto 21 - 25 JUNHO 2009
UM TÚMULO NO MEIO DA PAISAGEM
Recordemos: naquele 17 de Agosto o general francês Delaborde - que esperava reforços do general Loison - dispusera as suas tropas nos campos da Roliça, para fazer frente ao exército inglês de Sir Arthur Wellesley, no qual se haviam integrado algumas forças portuguesas. Loison tardava e as tropas aliadas, aproveitando a superioridade numérica, desencadearam o ataque. Delaborde faz uma retirada estratégica para os altos da Columbeira, uma formidável fortaleza natural formada pelos afloramentos rochosos que dominam o Vale do Roto, ainda hoje um lugar de paisagem magnífica. Os ingleses têm agora de desalojar daqueles picos (Alto do Picoto…) o entrincheirado inimigo, mas o êxito só é possível com uma manobra de envolvimento, “em tenaz”. Aos flanqueadores pede-se rapidez na manobra, enquanto os do centro progridem lentamente pelas ravinas acima.
É aqui que o impaciente coronel Lake, no centro do dispositivo inglês, decide um rápido ataque frontal à cumeada onde os franceses dispõem de uma invejável posição defensiva. Mais do que valentia, é temeridade que ele demonstra. Rodeados de inimigos, os homens do 29º defendem-se como leões mas são obrigados a recuar. No terreno jazem 50 mortos, entre os quais o seu comandante Lake, que ali serão inumados após a batalha.
Noventa anos depois destes acontecimentos, o 29º regimento pára em Portugal, na viagem de regresso a Inglaterra depois da Guerra dos Bóeres na África do Sul. Fiel à tradição, o regimento visita a Roliça para homenagear os seus antepassados mortos. Fazem-se escavações. Pelos despojos encontrados, são reconhecidos os restos mortais do lendário coronel Lake que emocionadamente depositam no singelo túmulo que ali constroem.
No silêncio da paisagem este monumento, mais do que lembrar um nome, perpetua a memória de tantos soldados desconhecidos que aqui se bateram na Guerra Peninsular.
15/06/09
FRENTE OESTE - Texto 20 - 18 JUNHO 2009
[ Batalha do Vimeiro. Água-forte de Domingo Escoppetta, Biblioteca Nacional Digital de Portugal]
BATALHA DO VIMEIRO
Pedro Fiéis
Após a vitória na Roliça, em 17 DE Agosto de 1808, Sir Arthur Wellesley espera reforços vindos de Inglaterra e procura local apropriado para o seu desembarque. Opta por Porto Novo, na foz do Alcabrichel e prepara um dispositivo militar de protecção.
Junot, aquartelado em Torres Vedras, ao tomar conhecimento do desembarque, decide em conselho de guerra lançar as suas forças disponíveis – cerca de 14 000 homens – num ataque de surpresa. A estrada escolhida, por Vale de Canas e Vila Facaia, está em péssimas condições, dificultando a marcha. A ponte de madeira em Paio Correia mais a dificulta e as patrulhas inglesas logo se dão conta desta imensa movimentação. Avisado, o general Wellesley modifica o seu dispositivo, reforçando a colina do Vimeiro e deslocando forças para o Alto da Ventosa.
As tropas de Junot estavam bastante cansadas e desgastadas por combates recentes, como o da Roliça, dias antes. Mesmo assim, ele manda avançar os generais Travot, Charlot e Tomières que encabeçam o ataque de três colunas em direcção à colina do Vimeiro. Solignac avançaria por Toledo em direcção à Ventosa, numa tentativa de contornar o dispositivo inglês e Brennier iria mais ainda pela ala direita seguindo pela estrada da Lourinhã até virar para Pregança.
Á sua frente, dispersa no terreno, estava a infantaria ligeira inglesa com seus atiradores, que os franceses não conseguiram expulsar das suas posições. Só com a chegada das colunas é que retiraram. De súbito, no topo da colina surgiram as linhas inglesas que a uma distância de 20 passos dispararam um fogo mortal, coadjuvado pela chuva de balas proporcionada pelas granadas Shrapnel, acabando com este ataque em pouco mais de meia hora.
Desorganizadas, as colunas francesas dispersam-se em fuga. Junot ordena, então, o avanço de metade da reserva de granadeiros, as suas melhores unidades. Estes sobem a encosta, mas são recebidos por um fogo mortal dos ingleses, formados em linha. Com perdas enormes, os franceses retiram.
A outra metade da reserva de granadeiros franceses ainda organiza um contra-ataque, chegando ao largo da igreja matriz do Vimeiro. Mas aí são surpreendidos pelas tropas de reserva inglesas e trava-se intenso combate, com a derrota francesa.
Mais longe, na Ventosa, o general francês Solignac é também derrotado, ele próprio saindo ferido da refrega.
Todas as forças francesas participantes na Batalha do Vimeiro, derrotadas, estavam agora em fuga desorganizada de volta a Torres Vedras. Isto aconteceu em 21 de Agosto de 1808.
FRENTE OESTE - Texto 19 - 4 JUNHO 2009
FIGURAS HISTÓRICAS
D. CARLOTA JOAQUINA
Maria Guilhermina Pacheco
Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança nasceu no Palácio de Aranjuez em Madrid, a 25 de Abril de 1775. Era filha do futuro rei Carlos IV de Espanha e de Maria Luísa Teresa de Parma.
Aos 10 anos de idade casou por procuração com o Infante português D. João, filho segundo da rainha D. Maria I, tendo vindo viver para a Corte Portuguesa.
Teve que se submeter aos chamados “ exames públicos”, e durante três dias, perante a família real e uma parte da Corte, respondeu a perguntas sobre religião, história, geografia, latim, gramática e línguas - Portuguesa, Espanhola e Francesa - tendo ficado registado na Gazeta de Lisboa (4-10-1785), que ”Sereníssima Senhora” tudo satisfez, e salienta ser difícil de “expressar a admiração que deve causar uma instrução tão vasta em uma idade tão tenra.”
O casamento só se veio a concretizar alguns anos depois, mas o relacionamento do casal não foi bem sucedido, nem a nível pessoal nem político, no entanto, a princesa seria mãe de nove filhos, como era hábito dizer na altura.
Entretanto, Carlota Joaquina adquire a Quinta do Ramalhão, à entrada de Sintra, onde viverá, separada do marido.
Entre os anos de 1805 e 1806, a relação esfriou mais, tendo para isso contribuído a chamada “Conspiração de Mafra”, cuja autoria é atribuída à princesa. A causa relaciona-se com a atribuição do título de regente a D. João, devido à doença de D. Maria, não tendo convidado Carlota para integrar o Conselho de Regência – esta não gostou.
A necessidade de viajar para o Brasil, devido à invasão das tropas francesas, no final de Novembro de 1807, veio agudizar as relações do casal.
No Brasil, a sua estadia, como toda a sua vida, apresenta versões diferentes, mas há uma característica comum, a sua tendência para a conspiração. Aqui, será para se tornar regente nas colónias espanholas, na América.
No entanto, não se concretizou, e Espanha veio a perder neste período a maior parte das suas colónias. Também se assumiu como pretendente ao trono de Espanha, por direito, era a primogénita, mas o seu pai abdicara a favor de seu irmão Fernando, que sobe ao trono como Fernando VII.
A vida do casal real, no Brasil desenvolve-se em espaços diferentes, Carlota habitará na Chácara de Botafogo e João em São Cristóvão.
Chegada a Lisboa, novamente a sua faceta politica e conspiratória continua, tornando-se uma das grandes impulsionadoras da contra-revolução, recusando-se a jurar a Constituição de 1822, tendo sofrido por isso uma condenação, ficando, no entanto, autorizada a viver no Ramalhão. Continua a conspirar contra o marido e os liberais, participando na “Vila-francada” e na “Abrilada”, golpes fracassados, mas que abriram o caminho para o torno ao seu filho D. Miguel.
Carlota Joaquina morreu no dia 7 de Janeiro de 1830.
“Em uma retrospectiva de sua vida, Carlota Joaquina poderia chegar à conclusão de que seu temperamento independente, sua personalidade autoritária, sua negação à submissão foram seus maiores obstáculos para vencer no mundo dos homens.”(AZEVEDO, Francisca L. Nogueira de, Carlota Joaquina na Corte do Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003.)
BADALADAS TEXTO 32 - 12 JUNHO 2009
Cronologia dos principais acontecimentos
Janeiro, 28 – O marechal francês Soult, na cidade galega da Corunha, recebe instruções escritas de Napoleão para que marche pelo Porto sobre Lisboa, ao longo da faixa costeira.
Fevereiro, 13 – O exército de Soult tenta atravessar o rio Minho em Vila Nova de Cerveira.
Fevereiro, 16 - O exército francês tenta nova travessia do Minho em Caminha, na foz do rio.
Março, 7 - O general Wellesley, futuro duque de Wellington, aconselha o governo britânico a defender Portugal, demonstrando a maneira de o realizar.
Março, 8 - O general britânico Beresford é nomeado comandante em chefe do Exército português com o posto de Marechal do Exército.
Março, 10 - O corpo de exército de Soult, tendo subido o rio Minho desde a foz até Orense e dirigindo-se depois para a fronteira portuguesa, entra em Portugal pela veiga de Chaves. Começa assim a 2.ª Invasão Francesa.
Março, 12 - Soult conquista Chaves, dirigindo-se para o Porto, por Braga.
Março, 15 - O marechal Beresford assume o comando do exército português.
Março, 16 - A guarda avançada do corpo de exército de Soult, comandada pelo general Franceschi, derrota as forças portuguesas em Salamonde.
Março, 17 - O general Bernardim Freire de Andrade é massacrado perto de Braga, por populares que o acusavam de traição.
Março, 18 a 20 - Soult vence as forças portuguesas que defendiam Braga em Carvalho d'Este.
Março, 21 - O brigadeiro Silveira, comandante da divisão que defendia Trás-os-Montes, reocupa Chaves.
Março, 25 - O brigadeiro Silveira conquista o forte de S. Francisco, de Chaves, aprisionando a guarnição francesa.
Março, 27 a 29 - O Porto é atacado, conquistado e saqueado, pelo exército francês de Soult. Desastre da Ponte das Barcas, no dia 29.
Março, 31 - Uma brigada de cavalaria do exército de Soult, comandada pelo general Caulaincourt, ocupa Penafiel, dirigindo-se para a ponte de Canaveses que tenta atravessar, sendo rechaçado por forças militares portuguesas.
Abril, 2 - Wellesley é nomeado comandante-em-chefe do exército britânico na Península.
Abril, 5 - O general José António Botelho de Sousa, comandante das forças portuguesas no Minho, reocupa Braga.
Abril, 9 - O general Silveira instala as suas forças nas proximidades de Amarante.
- O marechal Beresford chega a Tomar, onde toma o comando das forças operacionais portuguesas concentradas nesta cidade.
Abril, 13 - Silveira ataca e obriga a retirar a divisão Loison, reocupando a cidade de Penafiel. Retirar-se-á por sua vez no dia 15.
Abril, 18 / Maio 2 - As forças portuguesas do general Silveira defendem a ponte de Amarante do ataque de uma força francesa comandada pelo general Loison.
Abril, 21 - Assinatura da Convenção entre Portugal e a Grã-Bretanha, sobre um empréstimo de 6.000.000 libras esterlinas.
Abril, 27 - Wellesley toma o comando do exército britânico em Portugal, substituindo sir John Craddock.
Maio, 2 - O exército britânico, comandado pelo general Wellesley, incorporando algumas unidades portuguesas, chega a Coimbra.
- Forças do exército francês comandadas pelo general Delaborde atacam a Ponte de Amarante e obrigam as forças do brigadeiro Silveira a retirar. A defesa da Ponte de Amarante durou de 18 de Abril a 2 de Maio.
Maio, 4 - O general Wellington é nomeado marechal general do exército português, por Carta Régia.
Maio, 8 - O exército português comandado por Beresford chega a Lamego, vindo de Tomar por Coimbra e Viseu.
- As forças comandadas pelo general Silveira ocupam Vila Real, obrigando a cavalaria francesa de Caulaincourt a retirar.
Maio, 12 - As forças de Silveira ataca a divisão Loison na serra do Marão, obrigando-a a retirar para Amarante.
- Wellington bate Soult no Porto, obrigando-o a retirar para Espanha por Trás-os-Montes.
Maio, 13 -- Loison retira de Amarante, impossibilitando que o exército francês de Soult pudesse vir a retirar de Portugal pela Beira.
- O marechal Beresford chega a Amarante. O exército português de operações é reorganizado em 3 brigadas de Infantaria de Linha, 1 de Milícias e 1 de Caçadores. A brigada de Silveira ocupa Penafiel.
Maio, 18 - O exército francês de Soult abandona Portugal por Montalegre. A 2.ª Invasão Francesa termina.







