13/07/10

NOVA ACTIVIDADE DO PROGRAMA DO BICENTENÁRIO DAS LINHAS


Conan Doyle, o célebre criador de Sherlock Holmes, escreveu um conto em que faz referências à Guerra Peninsular: "As Aventuras do Brigadeiro Gèrard". Motivo suficiente para esta iniciativa da Casa da Cultura da Ponte do Rol, em que o público é convidado a participar no jantar e na resolução de um enigma. Lá estaremos.

10/07/10

XADREZ HUMANO

O Académico de Torres Vedras anunciou e concretizou: uma encenação de Xadrez Humano no recinto do castelo - espectáculo integrado no Programa de Comemoração do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras.

As imagens dão uma ideia muito pequena do que foi esta realização. Cor, movimento, inventiva, abordagem original de um tema já tão repetido. Sobretudo a quantidade de jovens envolvidos, perto de quatro dezenas.
No final ainda houve um porco assado no espeto, às portas da Sede do Académico, no Largo do Grilo.


Rapaziada valente!










04/07/10

AS LINHAS DE TORRES VEDRAS E A GUERRA PENINSULAR NA FEIRA DE S. PEDRO














A Associação do Património de Torres Vedras participou na Feira de S. Pedro deste ano com um espaço duplo no pavilhão B.
Com painéis criteriosamente escolhidos e uma maquete do reduto nº 20 do Forte de S. Vicente, o espaço da ADDPCTV (Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras) atraiu muitos visitantes e suscitou muitas conversas interessantes.

BADALADAS - TEXTO 51 - 2 JULHO 2010

Le Moniteur, jornal fundado em Paris em 1789 e que se publicou até 1901. Durante muito tempo foi o órgão oficial do governo francês com o título principal de Gazette Nationale. O sub-título Le Moniteur passou a principal em 1 Janeiro de 1811.


DESINFORMAÇÃO EM TEMPO DE GUERRA




José NR Ermitão

O Le Moniteur foi o jornal oficial do governo francês durante o período revolucionário e napoleónico; transmitia notícias controladas pelo governo, boletins militares, declarações oficiais e textos de propaganda política. Apresentava também artigos culturais e tinha grande divulgação em França e na Europa.

Como a informação do Moniteur era completamente controlada pelo poder napo-leónico, podemo-nos interrogar sobre que notícias teriam os franceses acerca da invasão de Portugal pelo exército comandado por Massena. A resposta é simples: poucas, atrasadas e mentirosas.

Antes da 3ª invasão, o jornal transcreve declarações ameaçadoras de Napoleão indicando claramente os seus intentos. Nelas afirma que “Antes de um ano, os Ingleses, por muitos esforços que façam, serão expulsos da Península, e a águia imperial flutuará sobre as fortalezas de Lisboa...” (27/9/1809); que Wellington, general incompetente, terá o mesmo destino de outros generais ingleses derrotados (9/10/1809); e que “Ape-nas eu transponha os Pirenéus, o leopardo (a Inglaterra) assustado fugirá em direcção ao Oceano para evitar a vergonha, a derrota e a morte” (4/12/1809).

Com a invasão em curso, as primeiras notícias aparecidas no Moniteur, a 29/11/ 1810 (já quinze dias depois dos franceses terem abandonado as Linhas de Torres), são sobre a batalha do Buçaco e comunicam que “o ataque no Buçaco não foi senão um falso ataque... a fim de cobrir o movimento de flanco que tinha sido decidido para tornear as montanhas...” Como é evidente, nada disto é verdadeiro: o ataque francês no Buçaco não foi falso e foi rechaçado pelos luso-ingleses; e o movimento de flanco dos franceses foi posterior à sua derrota. Ou seja, o jornal transforma em manobra de diversão vitoriosa uma derrota que custou aos franceses milhares de mortos e de feridos.

No dia seguinte (30/11) o jornal torna a noticiar sobre a invasão e nos seguintes termos: “Os Ingleses tinham a sua direita em Alhandra, sobre o Tejo, a sua esquerda, perto da embocadura do Lisandro; ocupavam uma posição com dez léguas de extensão sobre uma linha de colinas entrincheiradas; (Massena) fez o que pôde para levar os Ingleses à luta; mas foi-lhe impossível travar uma batalha com um inimigo extremamente prudente e que não queria combater... resguardado... por trás de trincheiras cheias de artilharia e inexpugnáveis.»

Desta vez o jornal foi fiel à verdade, pois refere a inexpugnabilidade das Linhas, a incapacidade de Massena em as tomar e a extrema prudência de Wellington. Mas as mentiras são imediatas quando comunica “Que os regimentos e os soldados franceses recebiam diariamente a sua provisão de pão e biscoito, que se tinham organizado inúmeros armazéns de cereais e que nada havia a temer quanto a subsistências...” – ou seja, exactamente o contrário do que estava a acontecer, com a fome a morder severamente o exército de Massena.

Em 26 de Fevereiro de 1811, uma semana antes da retirada definitiva dos franceses, ainda adiantava o Moniteur que “...o dia em que o exército inglês (derrotado) embarcar, será um dia de festa...” E assim o jornal iludia os franceses falando-lhe em vitórias futuras que, como sabemos, nunca aconteceram.

Mas o cúmulo da mentira aparece no dia seguinte, 27 de Fevereiro, quando comunica “que o marechal... (Massena) tinha julgado conveniente fazer um movimento; que tinha feito chegar a sua direita até ao mar e a sua esquerda até ao Zêzere e que o seu quartel-general estava em Pombal; que os diferentes corpos de tropas a soldo da Inglaterra tinham sido derrotadas; que colunas (francesas) tinham percorrido Portugal por todo o lado e conseguido a submissão... de várias regiões.”

De facto Massena fez um movimento, de recuo; mas nem os ingleses foram derrotados nem os franceses dominaram outras parcelas do território para além das que ocupavam militar e fugazmente, nem nunca o seu quartel-general esteve em Pombal, salvo por momentos e já no movimento de retirada definitiva.

Os franceses não eram informados, mas sim desinformados. Definitivamente, numa guerra, as grandes vítimas são sempre as pessoas e a verdade!



[Publicado no Badaladas em 2 JULHO 2010]

19/06/10






O "jantar em acampamento" foi um sucesso. Cerca de 300 pessoas saborearam uma ementa de estalo: salada de fruta com molho salgado; Carne de vaca estufada à Moda ( receita da corte de D. Maria I), acompanhada de batatas e couve cozidas, regadas com molho Gasconha; bolo de nozes com ovos moles (receita favorita de D. João VI); pudim de coco; tarte gelada.

De parabéns toda a organização.




Gente do povo, a cigana que lê a sina...







O Grupo de Gaiteiros da Freiria

16/06/10

BADALADAS - TEXTO 50 - 11 JUNHO 2010


Le maréchal Masséna (1758-1817)



CENAS DA 3ª INVASÃO

 NOVA CARTA DE WELLINGTON A MASSENA 

José NR Ermitão         

Conforme referi no artigo anterior Massena respondeu a Wellington numa carta datada de 14 de Setembro. Nela, afirma que não pode considerar como soldados um bando de camponeses sem uniforme e que praticam assassinatos; considera que Wellington se contradiz ao reclamar, por um lado, respeito pelas leis da guerra e, por outro, ao obrigar os portugueses a destruir as suas propriedades e outros bens e a fugir diante dos franceses. E acusa Wellington de violar expressamente as leis da guerra por desrespeitar os termos da capitulação de Almeida, segundo as quais os milicianos postos em liberdade pelos franceses não deviam retomar o serviço militar.

          Wellington respondeu a Massena, a 24 de Setembro, numa carta contundente e sarcástica, que transcrevo parcialmente:

          “Senhor Marechal (...)
          Aquilo a que o Sr. chama “camponeses sem uniforme”, “assassinos e salteadores de estradas” são a Ordenança deste país... corpo militar comandado por oficiais e submetidos às leis militares. Parece que o Sr. exige que eles tenham de usar uniforme militar para poderem gozar dos direitos da guerra; mas o Sr. mesmo deve lembrar-se de quanto aumentou a glória do exército francês ao comandar soldados sem uniforme (1).
          O Sr. queixa-se da conduta da Ordenança de Nave de Haver para com o coronel Pavetti. A questão é somente saber se um país invadido por um formidável inimigo tem o direito de se defender por todos os meios ao seu alcance. Se este direito existe, justifica-se que Portugal utilize a Ordenança, um corpo militar reconhecido e organizado segundo as antigas leis do país. Asseguro a V. Ex. que a Ordenança de Nave de Haver tratou bem o coronel Pavetti e que teria sido punida se o tivesse maltratado. Assim, eu desejava não ter sabido que... a casa do capitão-mor foi incendiada e que alguns soldados da sua companhia foram fuzilados por terem cumprido o dever para com o seu país.
          Sinto muito que V. Ex. sofra alguns inconvenientes pessoais pelo facto de os portugueses abandonarem os lares à aproximação do exército francês. É meu dever fazer retirar todos os que não dispõem de meios para se defenderem; e observo-lhe que as ordens dadas nesse sentido quase que não foram necessárias. Porque aqueles que se lembravam da invasão do país em 1807, da usurpação do governo do seu Príncipe... dificilmente podiam achar a conduta dos soldados do exército francês... para com as suas propriedades, para com as suas mulheres e para com eles próprios, de acordo com as proclamações de V Ex (2).
          Não é pois de espantar que eles abandonem os seus lares voluntariamente, queimando e destruindo tudo o que não podem levar; e não tenho que apresentar... desculpas pelo encorajamento que lhes dou, a não ser pelos inconvenientes pessoais que po-dem causar a V. Ex.
V. Ex. foi mal informado sobre a questão da milícia que fazia parte da guarnição de Almeida. Antes de se queixar sobre a infracção dos termos da capitulação de Almeida, V. Ex. deveria lembrar-se que ela foi violada logo após ter sido assinada. V. Ex. comprometeu-se a que os oficiais e soldados da Milícia voltassem às suas casas; e apesar deste compromisso, o Sr. reteve 7 oficiais e 200 soldados de cada regimento para fazer deles um corpo de pioneiros. A capitulação de Almeida está assim anulada... Mas posso assegurar-lhe que nenhum dos soldados da Milícia de Almeida se encontra em serviço.”
Massena recebeu a carta, ressentiu-se do teor do seu primeiro parágrafo (segundo as suas “Memórias”), mas não respondeu, terminando assim a correspondência entre ambos. A 3ª invasão iria ser mesmo caracterizada, por parte dos franceses, por ter aspectos de guerra de extermínio, bem sofrido por parte da população portuguesa, so-bretudo como resposta à política de terra queimada levada a efeito por Wellington.
______________
(1) Wellington, ofensivo, referia-se ao facto de Massena, em 1793 e 1794, ter comandado vitoriosamente tropas francesas de aspecto miserável e desprovidas de uniforme...
(2) Referência à proclamação de Massena dirigida aos portugueses, na qual afirma que os vem proteger e garantir-lhes a prosperidade, sendo seu objectivo único expulsar os ingleses...
         

3º SUPLEMENTO NO BADALADAS - 14 MAIO 2010

Primeira e última página do suplemento



Do papel ao terreno
a construção das Linhas de Torres Vedras
André Filipe Vítor Melícias

As Linhas de Torres Vedras, enquanto sistema defensivo, permitiram a Wellington travar o avanço de Massena sobre Lisboa em 1810. O facto de Portugal ter permanecido livre possibilitou que servisse de base a ofensivas do exército aliado de Ingleses, Portugueses e Espanhóis contra o território espanhol ocupado, permitindo ainda a Inglaterra a manutenção de um importante ponto de escala para a sua marinha mercante e de guerra, evitando a asfixia que Napoleão projectara anos antes ao decretar o Bloqueio Continental.
As Linhas como hoje as conhecemos não resultaram de um projecto estático, aplicado inflexivelmente ao terreno. Foram antes o resultado do trabalho intelectual e físico de muita gente, desde Wellington a Neves Costa, passando pelos 19 oficiais de engenharia ingleses, portugueses e alemães que dirigiram as obras até aos inúmeros anónimos - soldados e populares – que, uma a uma, edificaram as fortificações.
Ainda que tenham existido trabalhos anteriores de reconhecimento de terreno, dos quais o mais conhecido será o do oficial português José Maria das Neves Costa, é a Wellington que se atribui o acto fundador das Linhas: o Memorando de 20 de Outubro de 1809. Deixando temporariamente as operações que dirigia em território espanhol, Wellington dirigiu-se a Portugal para preparar a defesa para uma expectável nova invasão. Aqui realizou durante alguns dias um breve reconhecimento do terreno – certamente com base em material cartográfico já existente – tendo depois enviado ao engenheiro Richard Fletcher um memorando onde ordenava a criação de um sistema defensivo que garantisse o domínio de Lisboa, bem como um embarque seguro em caso de derrota do exército inglês. Para tal estabeleceu uma série de zonas que deveriam ser fortificadas de imediato, indicando ainda o número e o posicionamento dos efectivos militares, bem como eixos de comunicação que deveriam tomar em caso de se terem que deslocar. Além disso solicitou a Fletcher que continuasse o estudo do terreno para a implantação de mais fortificações.
Foi na sequência deste memorando que no dia 3 de Novembro tiveram início obras em S. Julião, na terceira linha, no dia seguinte em Sobral de Monte Agraço e no dia 8 em Torres Vedras. Provavelmente da mesma época são os fortes de Enxara dos Cavaleiros e do Alto da Ajuda.
Em Fevereiro de 1810 Wellington realizou um nova visita ao terreno, talvez motivado pelo ritmo lento a que as obras decorriam. Entre os dias 5 e 10 de Fevereiro Wellington esteve em plena região das Linhas, passando por Torres Vedras, Mafra e Vila Franca de Xira.
Como resultado deste reconhecimento assistiu-se à pormenorização e desenvolvimento do plano iniciado com o Memorando de 20 de Outubro. Nos dias seguintes as obras ganharam um novo ritmo, iniciando-se a fortificação das zonas de Mafra, Ericeira, Montachique, Bucelas, Vialonga, Alhandra, Arruda, Ponte do Rol e São Pedro da Cadeira. Com estas obras constituiu-se uma linha efectiva de defesa – a actual 2.ª Linha -, que, complementada por um conjunto de postos avançados (como Torres Vedras, por exemplo), possibilitava a cobertura das principais vias de acesso à capital.
No entanto, o tempo decorrido até à efectivação da invasão de Massena, permitiu que mais trabalhos fossem lançados. Assim, a partir de 17 de Julho de 1810, já sob o comando do engenheiro John T. Jones, foi iniciado mais um conjunto de obras com o objectivo de fortalecer ao máximo os flancos direito e esquerdo das posições avançadas. Até Outubro foram iniciadas as obras junto a Alhandra, bem como a fortificação do Vale do Calhandriz que visava impedir que Alhandra fosse contornada. Também a Serra de Serves foi reforçada, pela construção de mais dois fortes. No flanco esquerdo das posições avançadas tiveram início as obras de construção de três fortificações junto da Foz do Sizandro.
Para além das novas fortificações Jones também fez construir uma série de obras complementares – escarpamentos, terraplanagens, minagem de estradas e pontes, construção de vias militares, etc. Foi igualmente nesta altura que se estabeleceram e testaram os postos de comunicação ao longo do sistema defensivo e, para permitir uma melhor logística, dividiu-se o mesmo em seis ‘distritos’ com sede em Torres Vedras, Sobral, Alhandra, Bucelas, Montachique e Mafra.
Quando, a 8 de Outubro desse ano os dois exércitos começaram a chegar às Linhas, encontraram um sistema composto por duas linhas sucessivas de fortificações, cobrindo o terreno entre o Tejo e o Atlântico e uma terceira em torno de Oeiras, para proteger o embarque inglês em caso de derrota. No entanto, ainda não era o sistema que hoje conhecemos, pois, para acautelar algumas fragilidades foram logo iniciadas fortificações no centro da 1.ª linha (entre Catefica e Ribaldeira).
Após cerca de um mês frente às Linhas, Massena retirou para Santarém. No entanto, a incerteza de invasões futuras levou a que se tivesse continuado o trabalho de fortificação, nomeadamente no Vale do Sizandro, entre Torres Vedras e o oceano, onde a descida do nível do rio durante o tempo mais quente levou a que essa região fosse protegida com 18 novas fortificações. Estas construções, iniciadas em 1811 mas terminadas talvez só em 1812, marcam o final do período de construção das Linhas.
Entre os anos de 1812 e 1814, foram detectadas em Torres Vedras obras, já não de construção, mas de recuperação de alguns fortes e estradas militares, a cargo do Sargento Mor Lourenço Homem da Cunha d’Eça. Estas obras terão terminado em Julho de 1814, talvez na sequência do clima de pacificação decorrente da assinatura da Convenção de Paris e da capitulação de Napoleão.
Quando se perfazem dois séculos sobre a construção deste sistema defensivo que teve implicações tão sérias no desenrolar da guerra, aproveitar a oportunidade de conhecer melhor a sua História é igualmente conhecer em maior profundidade a identidade de nossa terra e de nossa região: o local onde se iniciou a expulsão dos exércitos franceses da Península Ibérica.

                                                                                     

                                                            * * *
Portugueses no exército de Massena

Rui Prudêncio

Com algum espanto as autoridades portuguesas tiveram conhecimento de estarem incorporados no exército do general Massena oficiais portugueses. Esses oficiais pertenciam à Legião Portuguesa formada em 1808 e que se juntou aos exércitos napoleónicos em França. Em 1810, aquando da preparação da 3.ª Invasão a Portugal, o ministério da guerra francês ordenou que alguns desses oficiais se juntassem ao estado-maior de Massena, a fim de lhe dar apoio no relacionamento com as populações locais e no conhecimento do território a invadir. Atribuiu-se-lhes assim mais a função de ligação com os portugueses civis do que a função de combater o exército anglo-luso. Tal circunstância, juntamente com o facto de muitos deles serem, afrancesados, ou seja, adeptos da ideias mais moderadas da Revolução Francesa, de verem na administração napoleónica um factor de modernidade política e social e possivelmente a expectativa de integrarem o governo de Portugal após a esperada expulsão dos ingleses talvez contribuísse para aceitarem essa incumbência.

Apesar de não pretenderem a extinção política de Portugal como estado independente, esses militares foram vistos como traidores à pátria e como tal acusados pelo governo português. Formou-se um tribunal (Junta da Inconfidência) que os julgou e sentenciou à revelia. A pena foi a condenação à morte. E os condenados foram:

D. Pedro José de Almeida (3.º marquês de Alorna).
D. Agostinho Domingos Rolim de Moura Barreto (1.º marquês de Loulé).
Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real (general de brigada).
D. Álvaro Xavier Botelho (6.º conde de S. Miguel).
José Manuel de Noronha.
José Pereira Pinto (capitão de infantaria 11).
João da Gama (capitão de infantaria 16)
João Freire Salazar (sargento mor da Legião Portuguesa)
Francisco Taveira Cardoso.
Alexandre Henriques Lima.
Henrique Lima.
José Soares de Albergaria.
João Reicend (capitão de infantaria 16).
Piton (sargento da Guarda Real da Policia).
João António Ramos Nobre (sargento mor do regimento de cavalaria 5).
Fortunato José Barreiros (sargento mor de artilharia).
João Pedro Salabert (fabricante de chapéus)
Estevão de Carvalho (alferes)
Manuel Joaquim Rodrigues da Fonseca
João Mascarenhas Neto
José Maria Carvalho
José Alexandrino da Costa Fortuna
Cândido José Xavier

Destes condenados à morte nenhum cumpriu a pena por não estarem presentes em julgamento, à excepção de João Mascarenhas Neto que morreu de garrote na praça do Cais de Sodré. O condenado José Pereira Pinto (capitão do regimento de infantaria 11) foi mais tarde absolvido (1816) e o marquês de Loulé e o conde de S. Miguel foram amnistiados em 1818 e 1820 respectivamente.

Dos acusados, D. Miguel de Assis Mascarenhas (3.º conde do Sabugal) foi absolvido mas como medida preventiva foi desterrado para a ilha de S. Miguel. Os restantes acusados, João Pedro Salabert (fabricante de chapéus); Estevão de Carvalho (alferes) e Manuel Joaquim Rodrigues da Fonseca não foram condenados porque os seus processos judiciais não foram instruídos por falta de legalidade.

Posteriormente foram acusados D. José de Portugal e Castro (5.º marquês de Valença); D. Tomás da Silva (marquês da Ponte de Lima) e José de Vasconcelos e Sá (coronel), Miguel Bernardo de Meneses, Joaquim José Pombeiro Salvador Sá Benevides (5.º visconde da Asseca), tendo sido todos absolvidos.

Depois da Revolução Liberal foram os demais amnistiados pelo governo (decreto de 9 de Fevereiro de 1821), com a justificação de terem sido julgados à revelia, logo impossibilitados de se defenderem com prescreve o direito natural. O decreto de amnistia geral abrangia todos os indivíduos perseguidos por opinião ou comportamento político bem como os que se ausentaram de Portugal pelo mesmo motivo desde 1807.


Bibliografia:

SORIANO, Luz - História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal comprehendendo a história diplomática militar e política d'este reino desde 1777 até 1834.Lisboa : Imprensa Nacional, 1866-1890, segunda épocha, tomo III, p. 99 -115.
Acessível na Biblioteca Nacional Digital em http://purl.pt/12103/2/

        
                                                                                         
                                                                                                * * *


Tipologias de fortificação presentes nas Linhas de Torres Vedras

Forte - Obra militar de pequena ou média dimensão, isolada, dependente de uma praça principal ou funcionando de modo autónomo.

Reduto - Numa fortaleza, o reduto é uma obra geralmente quadrangular num pano de muralha de um baluarte. No contexto das Linhas de Torres Vedras aparece isolado. É, no entanto, confusa a aplicação deste conceito e do de forte, no contexto das Linhas de Torres Vedras. Por exemplo, o Forte de São Vicente é constituído por três diferente redutos interligados.

Bateria - Plataforma criada para a colocação de peças de artilharia.


Obras complementares

Entrincheiramentos – Tipo de fortificação de campanha, utilizado na época sobretudo para aproximação de tropas sitiantes aos locais sitiados. No contexto das Linhas, foram estabelecidos alguns entrincheiramentos, nomeadamente em Alhandra, como obra complementar aos fortes existentes junto ao rio Tejo.

Abatizes - Obstáculo construído a partir de troncos de árvores cravados firmemente no terreno e cuja extremidade visível é aguçada para obstar ao inimigo.

EscarpamentosEntrave artificial que consiste na criação um declive no terreno, ou aumento de um declive já existente, através da construção de um talude de terras.

Terraplanagens – Em vários locais das linhas procedeu-se à terraplanagem de pequenas elevações, para que não interferisse no ângulo de fogo de artilharia.

Minagem de estradas e pontes – Enquanto os exércitos contendentes se aproximavam, John T. Jones, o engenheiro inglês responsável pelas obras, recebe ordens de Wellington, via Richard Fletcher, para que se procedesse à minagem das vias de comunicação, para que pudessem ser destruídas à aproximação do inimigo.

Abate de árvores – Por toda a frente de combate, foram abatidas as árvores encontradas dentro do raio de tiro, para que não obstasse à artilharia e não permitisse que o inimigo encontrasse nelas abrigo para o fogo. Estas árvores serviam para construir os abatizes.

Estradas militares – Foi construída uma rede de estradas que interligava os fortes. O facto das estradas serem construídas nas vertentes protegidas dos montes, permitia que os fortes fossem abastecidos de víveres e soldados com mais facilidade.


* * *
OPUS 2



Sobem e descem a encosta num vai vem
bois e jumentos por pederneira e matagal
pé ante pé às cegas sem descanso,
dia e noite entre nuvem bruta e o boreal
que os carregos urgem e o rumo é ficar
pronto para batalha rija e sem bonança.



Ao cabo de meses eis o forte de S. Vicente
em pedra construído por tenaz labor
de quem cavalgou a escarpa até ao morro,
homens e animais que em degredo
trabalhavam mais por cada jeira
que durante um ano de sementeira.



Abrindo as asas eis assim um pássaro
de trinta e nove bocas de fogo para
barrar a estrada que liga Coimbra a Lisboa,
cantar bem alto aqui é terra antiga
lugar de um nome só fundado
em osso vivo e bandeira alcantilada.



Mais que pássaro cantador se ouvem
passos dia-a-dia agora de quem
marinhando a encosta e mais além
vê seu próprio rosto nesse rosto
moldado há anos, imagem
do tempo golpeando sem limite.


Luís Filipe Rodrigues in: Escrito à Mão, Torres Vedras, 2010




BADALADAS - Texto 49 - 7 MAIO 2010


BARTOLOZZI, Francesco, 1728-1815

Lord Wellington, terror hostium Lusitaniae... [Visual gráfico / Pelegrini pinxit ; F. Bartolozzi sculp. de idade 83 annos em Lx.ª, em 1810. - [Lisboa? : s.n., 1810]. - 1 gravura : água-forte e ponteado, p&b http://purl.pt/6163 - Biblioteca Nacional Digital






CENAS DA 3ª INVASÃO

UMA CARTA DE WEELLINGTON A MASSENA

jOSÉ NR ERMITÃO

No início da 3ª invasão francesa, dias antes da capitulação da praça de Almeida (27 de Agosto de 1810), um grupo de militares franceses, composto pelo coronel Pavetti, 2 oficiais e uma dúzia de soldados, entraram em Portugal em missão de reconhe-cimento; ao regressarem a Espanha, foram surpreendidos por uma noite escura e tempestuosa e perderam o caminho. Encontraram um pastor português que se propôs guiá-los; mas es-te, manhoso e incapaz de resistir à animosidade contra os invasores, em lugar de os conduzir ao destino, levou-os à povoação de Nave de Haver (situada a sul de Almeida) e entregou-os à Ordenança. Os franceses resistiram, houve mortos, mas o coronel Pavetti foi aprisionado pelo capitão da ordenança, que o entregou a Wellington.


Massena, comandante do exército invasor, perante as notícias do facto, considera-o praticado não por militares mas por assaltantes e assassinos; manda cercar Nave de Haver, ordena o fuzilamento dos soldados da ordenança e o incêndio da casa do respectivo capitão.

Wellington, ao tomar conhecimento da vingança brutal dos franceses, absoluta-mente contrária às leis da guerra, fica tão constrangido que decide escrever uma carta a Massena – uma carta em que explica a estrutura do exército português e solicita tratamento digno para os soldados da Ordenança, não deixando de antever o pior para os soldados franceses, caso Massena mantenha a ordem de fuzilamento dos soldados desta estrutura militar.

A carta é data de 9 de Setembro de 1810; transcrevo-a parcialmente:

“Senhor Marechal (...)


É preciso que saiba que todos os portugueses são obrigados, pelas antigas leis do país, a servir no Exército Regular ou na Milícia ou na Ordenança, e que todas estas tropas estão sujeitas às leis militares e sob ordens de oficiais generais portugueses*. A prova é que, apesar do que a Ordenança tem sofrido... por causa das ordens que o Sr. deu e da violação das leis da guerra sobre os seus soldados, eles obedecem às ordens que lhes foram dadas; e têm poupado a vida e tratado bem todos os prisioneiros que fazem. O coronel Pavetti, por quem o Sr. tanto se interessa, foi feito prisioneiro pela Ordenança, foi por ela bem tratado, tal como a sua escolta.


Como a Ordenança faz parte do exército português... peço-lhe que dê ordens para que os oficiais e soldados da Ordenança, quando feitos prisioneiros, possam usufruir, como os outros soldados do exército português, das leis da guerra.


Desde que assumi o comando das tropas neste país, tenho feito todos os possí-veis... para conduzir a guerra de um modo leal e para respeitar as leis da guerra... Mas se o exército francês continuar a fuzilar os soldados da Ordenança, certamente que não pode esperar que os soldados deste corpo e os outros soldados do exército português não façam o mesmo aos prisioneiros do exército francês. Não estará em meu poder protegê-los; e as ordens que o Senhor deu serão a causa das desgraças que os soldados franceses, ao caírem nas mãos das tropas portuguesas, vão sofrer.”

Nas suas “Memórias”, Massena comenta a carta e atitude de Wellington de forma absolutamente negativa: diz que a humanidade dos ingleses só se comovia quando estavam em causa os seus interesses, que Wellington estava a legitimar actos de assassínio e prisão indevida ao transformar camponeses/salteadores em militares e que, agindo assim, devia assumir a responsabilidade moral por transformar «uma guerra política em guerra de extermínio».

Em conformidade com estes raciocínios, Massena respondeu a Wellington, numa carta datada de 14 de Setembro e cujo conteúdo se pode deduzir das suas Memórias. No próximo artigo darei conta desta e da segunda carta que Wellington lhe escreveu.

___________

* Após a Restauração, em 1640, a defesa do reino assenta em 3 tipos de tropas com funções dife-rentes e que integram todos os homens válidos dos 15 aos 60 anos: o exército de 1ª linha, ou regular, defensivo e ofensivo, de carácter nacional; o exército auxiliar, chamado Milícias no reinado de D. Maria I, defensivo e de carácter regional; e as Ordenanças, chefiadas pelos capitães-mor, também defensivas mas de carácter mais local.

14/06/10

UM ACAMPAMENTO PARA REVIVER A HISTÓRIA

Clicar para aumentar

Mais uma actividade integrada no plano de Comemorações dos 200 anos das Linhas e Torres Vedras.
As inscrições estão abertas.

28/05/10

UM TEXTO ESQUECIDO SOBRE UM MÓVEL HISTÓRICO

Rafael Salinas Calado foi o primeiro director do Museu Municipal de Torres Vedras, por ele instalado numa sala - que já não existe - anexa da Igreja de S. Pedro.
Do seu livro MEMÓRIAS DUM FERRO-VELHO ( Portugália Editora, Lisboa, s/d, mas com a data de 1947 no preâmbulo do autor) transcrevemos todo o artigo referente à história da aquisição do histórico bufete onde, em 22 de Agosto de 1808, foi assinado o armistício que pôs fim aos confrontos militares da 1ª invasão francesa:

«Se um objecto ou um móvel estão ligados à tradição comprovada de um facto histórico, isto é, a um acontecimento da história nacional, e se esse acontecimento foi uma batalha travada e ganha pela independência da Pátria, esse objecto ou esse móvel são peças históricas de primeira grandeza.

Está nesse caso o Bufete de Maceira, cuja existência muita gente desconhece, não obstante
ter sido trazido a Lisboa nas comemorações centenárias de 1940 e exposto, bem em
destaque, num dos magníficos pavilhões de Belém.
Lá o fui encontrar, e embevecido contemplei esse velho amigo, que, por minha exclusiva
Intervenção, entrou no p¬trimónio nacional, quando o adquiri, para o então formoso Museu Municipal de Torres Vedras, instalado numa das salas mais graciosas do estilo português do século XVIII: a da Irmandade dos Clérigos Pobres anexa à Matriz de São Pedro.

Esta sala, quadrada, era do tipo perfeito da mais pura elegância setecentista; forrada dum alto silhar de belos azulejos, tinha tecto de maceira todo debruado de florões dourados, e como cúpula, os painéis dos quatro evangelistas, da autoria de Bernardo António de Oliveira Goes, filho do ericeirense António de Goes, pintor que trabalhou na opulência joanina de Mafra.
Ali, num dia feliz para a história da arte em Torres Vedras, instalei amorosamente o seu Museu Municipal em 1928. Esta sala não existe já, sacrificada aos arranjos urbanistas da importantíssima vila estremenha, ou ao restauro da velha Matriz de São Pedro, coeva da fundação de Portugal.

O Museu, hoje dirigido pelo meu sucessor Dr. Aurélio Belo, notável arqueólogo e numismata, está certamente em melhores mãos que as minhas, mas pobremente instalado numas divisões escassas da velha e outrora rica Misericórdia local.
Lá se encontra o bufete histórico que me dita estas impressões consagradoras e saudosas.
Quem supuser que os sentimentos de afectividade se podem somente dedicar a seres vivos, engana-se redondamente; eu amo e venero o precioso móvel histórico que contemplei tantas e tantas vezes, sozinho, fechado no Museu, e que eu vi sempre aureolado da sua glória incontroversa.

Depois, cabe-me uma honra que não declino: a de ter conseguido que o seu proprietário de então, José da Cunha Santos Bernardes, casado com uma ilustre senhora, descendente dos Morgados da Maceira e Moita Longa, cedesse, a rogos meus, a sua propriedade ao Museu Municipal a troco de outro bufete «exactamente igual».

Com que alvoroço, medindo bem o alcance transcendente da troca e autorizado, previamente, pela digna Câmara, eu gastei dos fundos do Museu o conto e tal, orçamentado para mandar fazer um bufete exacta e rigorosamente igual ao bufete histórico, no feitio, nas dimensões e até na madeira.

Assim foi construída a mesa de pés e travessas torneados em contas, com a sua travessa suplementar ao meio, sobre dois pés rasteiros, e, como o outro, uni pouco sobre o quadrado, com as gavetas e tremidos também iguais.

Deve a História de Portugal aos dignos proprietários de então o melhor reconhecimento pelos sentimentos de desinteresse material de que deram a prova realíssima, em prol da sua orgulhosa terra natal de Torres Vedras.
O valor do elegantíssimo móvel é extraordinário.
É tempo de dizer em que consiste a historicidade incontroversa e rica do seu passado.

Em 21 de Agosto de 1908 engalanou-se a pequena povoação do Vimeiro, ao norte de Torres Vedras, no concelho da Lourinhã, limítrofe e vizinha pertissima da povoação de Maceira, do concelho torreense.
O rei D. Manuel II, generais, ministros e oficiais de alta patente, deslocaram-se ao histórico local a inaugurar o obelisco comemorativo da Batalha do Vimeiro, travada e ganha exactamente cem anos antes.
Do solar dos Morgados da Maceira foi para o local um móvel pedido para esse fim: o Bufete Histórico da Maceira.




Sobre ele foi assinado o auto de inauguração do obelisco, e um nobre inglês alto e decorativo na sua farda imponente, vindo expressamente de Inglaterra, assinou esse auto também.
Esse oficial, neto do Marquês de Torres Vedras, Sir Arthur Wellesley, usava o mesmo título do seu famoso antepassado, o glorioso Duque de Wellington.
Porque foi pedido e deslocado para ali esse bufete?
Porque exactamente cem anos atrás, o General Kellerman, delegado de Jean Andoche Junot, o primeiro invasor francês de Portugal a seguir ao Tratado de Fontainebleau, de 27 de Outubro de 1807, assinou sobre essa mesa gloriosa o «arrangement avec armistice» de que fala Foy, ditado por Sir Arthur Wellesley, como representante das forças vitoriosas anglo-lusas.
Tem, pois, um transcendente valor histórico o precioso móvel a que os jornais de 1908 se referiram com largueza.
Deve ter orgulho nele Portugal, Torres Vedras e, especialmente, a nossa nobre e digna aliada Inglaterra.
Quando, uma vez, acompanhado pelo erudito General Teixeira Botelho, o grande político inglês Lloyd George visitou as linhas gloriosas de Torres Vedras, acedeu à minha solicitação para visitar o Museu Municipal.
Eu convoquei à pressa alguns antigos combatentes da grande guerra de 1914-18, e com eles aguardei a visita do antigo primeiro-ministro britânico.
Este mostrou-se muito sensível a essa atenção, tendo cumprimentado efusivamente os antigos combatentes, abrindo um largo sorriso, que os seus olhos dum azul carregado mais avivavam ainda, e, quando lhe mostrei o bufete e pedi ao General Teixeira Botelho que lhe explicasse a glória que lhe competia pela sua história, Lloyd George, como que deslumbrado, abraçou-o.
Estou a ver a sua bela cabeça de neve, quase encostada ao tampo do móvel precioso.
Ele é, na parte histórica, a peça mais rica do pequeno Museu Municipal de Torres Vedras, onde procurei coleccionar também armas, balas e documentos referentes às Guerras Peninsulares.
Em Inglaterra dão, justificadamente, um grande apreço a tudo quanto diz respeito ao seu passado histórico, como pode ler-se no ofício que adiante transcrevemos, referente também às Guerras Peninsulares.
Em 1938, ofereci ao Royal Military College, de Sandhurst, um saquinho de damasco vermelho, contendo doze balas encontradas nos campos de batalha de Vimeiro e uma fotografia do Bufete Histórico. Levou-me a fazer a oferta àquele instituto britânico o facto de ter sido um professor dele, Charles Walker Robison, que escreveu um trabalho sintético, mas magnífico, sobre a Guerra da Península, trabalho que foi traduzido para português pelo Major de Artilharia Matias Nunes.
Em 2 de Maio do mesmo ano, recebi o ofício seguinte que me foi enviado gentilissimamente pela Embaixada Britânica em Portugal, que se tinha dignado fazer chegar ao Royai College a minha oferta:

2nd May, 1938.

«Sir
It was with the greatest pleasure that I received your most generous gift of twelve bullets which were found on the battlefield of Vimeiro. This gift has been placed in the Museum of the College where it will always be of the greatest interest to ali Officers, Cadets who serve here. I would like on behalf of the Officers, Cadets and myself to offer you our most sincere thanks for your historical gift.
It is yet another instance of the friendship that has always existed between your distinguished country and ours.
May I finish with offering most respectfully my best wishes for the continued prosperity of Portugal. I have the honour to be, Sir.. .

a) Eastwood, Major General
Command Royal Military College»

Pelos termos de efusivo agradecimento deste penhorante ofício, se infere bem o apreço que em Inglaterra dispensaram à modesta oferta.
Outra peça consagradora, mas esta ao gosto popular, quo a família Moura Borges guardava avaramente, deu entrada também no Museu, por solicitação minha, oferecida nobremente pela referida família: a tabuleta de A dos Cunhados.
Descrevi-a na encantadora revista literária Feira da Ladra a pág. 114 do segundo volume. É uma grossa tábua de pinho, de o,m03 de espessura, o,'"6o de alto e o,m30 de largo, pintada de branco numa das faces, tendo uma faixa larga de negro enquadrando os seguintes versos ingénuos e frementes de patriotismo:

NESTE LVGAR DOS CV-
CNADOS COM GRANDE
PRAZER E GOSTO FOI O PRÍN
CIPE ACLAMADO EM
19 D AGOSTO
1808 ERA
O ANO QVE CORIA
SACODIOCE O JVGO
FRANCES RESTAV
ROVSE A MONAR
QVIA

A tabuleta apresenta os dois orifícios com que fora pregada na praça onde se fazem as transacções do peixe, da praia do Porto Novo, no lugar de «A dos Cunhados».
Depois, o primeiro proprietário da tabuleta, o Capitão Luís Paulo Cosme, que providencialmente a recolheu, utilizava-a, cedendo-a ao sapateiro que lhe ia a casa consertar o calçado para a numerosa família, e a madeira acusa bem o uso inglório que dela faziam.
Lá figurava sobre o Bufete Histórico, com as suas maiúsculas a apagarem-se, delidas pelo tempo, e não ficava mal junto da sua glória, como regozijada expressão popular de orgulho e de alegria pela derrota das opressivas águias de Napoleão e mormente pela vitória de Portugal.»

16/05/10

NOVOS LIVROS SOBRE A GUERRA PENINSULAR



MEMÓRIA DAS 'INVASÕES FRANCESAS' EM PORTUGAL (1807-1811). Teresa Caillaux de Almeida, Lisboa, Março de 2010, Ésquilo edições e multimédia. 543 p.
Versão portuguesa da tese de doutoramento da autora, apresentada na universidade de Nanterre, em Fev de 2008,  com o título La Mémoire des 'Invasions Françaises' au Portugal(1807-1811) au croisement  des sources orales, écrites et iconographiques. A autora é professora da Universidade de Aix-en-Provence. Prefácio de António Pedro Vicente, que foi um dos membros do júri naquele acto académico.
Resumo do índice:
Cap.1-Os factos históricos
Cap.2-A escrita da História
Cap.3-A memória em imagens
Cap.4-A memória oral
Cap.5-«Casa das Gaeiras»
Cap.6-Comemorações
Síntese conclusiva

Na Introdução a autora refere que o cap. 4 é o cerne deste trabalho:
« A memória oral, tema do capítulo quarto, é um ponto crucial deste trabalho porque é a parte viva desta investigação e o ponto de ancoragem de todos os outros domínios.»
Mais adiante explica o teor do cap. 5: «Refere-se à Casa das Gaeiras, lugar de concentração memorial, incomparável em Portugal, no que dis respeito ao período napoleónico, quer pela sua diversidade quer pela quantidade de objectos, manuscritos, armas, planos de campanha e de livros. Além disso, na Casa das Gaeiras, memória e objectos são conservados amorosamente dentro do círculo familiar, o dos Gomes Pinheiro/Pinto Basto Lupi, residindo, desde há dois séculos, numa mesma casa da região Oeste do país, não distante dos campos de duas das principais batalhas desta campanha.»
Lembramos que a Casa das Gaieiras se situa no concelho de Óbidos, no qual se deu a Batalha da Roliça em 17 de Agosto de 1808.

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AS LINHAS DE TORRES VEDRAS / XII Encontro TURRES VETERAS: AS LINHAS DE TORRES VEDRAS; coord. Carlos Guardado da Silva - Lisboa: Colibri, Universidade de Lisboa;Torres Vedras:Município, 2010. - 212 p. : il.  ;27 cm. - (Turres Veteras;12)


SUMÁRIO


-Enfrentar as Linhas. Testemunhos franceses sobre uma Barreira intransponível
António Ventura

-(Re)Construções da Memória: as Linhas de Torres em Narrativas Britânicas
Gabriela Gândara Terenas

-The View from Torres Vedras: Southey’s Construction of Portugal between Historical Presence and Textual Invisibility
Diego Saglia

A visão de Torres Vedras: a formação de Portugal, segundo Southey entre presença histórica e invisibilidade textual
Diego Saglia

-L’armée du Portugal ou o desconcerto de um exército: preparação e concretização de uma expedição a Portugal
Cristina Clímaco

-População e Família na época das Invasões Francesas – o caso da freguesia de StªMaria do Castelo de Torres Vedras (1806-1812)
Venerando Aspra de Matos

-PRODUTOS E PREÇOS EM TORRES VEDRAS
NA ÉPOCA DA GUERRA PENINSULAR
Henrique Vieira

-Wellington’s Peninsular Strategy, Portugal, and the Lines of Torres Vedras
Donald D. Howard

-A Estratégia Peninsular de Wellington, Portugal e as Linhas de Torres Vedras
Donald D. Horward

-Un militar de genio: Sir Robert Wilson en Portugal a través de su correspondencia (1808-1809)
Alícia Laspra

-La estratégia napoleónica y las ciudades sitiadas en la Guerra Peninsular
Antonio Moliner Prada

-Irlandeses em armas em espaço peninsular: a obra esquecida de Charles Lever
Maria de Deus Duarte

- As Linhas em Torres Vedras
Francisco Sousa Lobo

-As Linhas de Torres Vedras: impactos regionais: o caso de Leiria
António Pedro Vicente

09/05/10

ACABADINHO DE ACONTECER...

As fotos não são nada jeitosas... Mas a vontade de registar sobrepôs-se à pouca qualidade do fotógrafo e do equipamento disponível.

Aqui ficam algumas imagens do espectáculo de marionetas apresentado pelo Espeleo Clube e o seu grupo de fantoches -Algarucho. A apresentação foi o final de uma oficina de construção e manipulação de "robertos" organizada pelos Museu.
O espectáculo integrou-se nas comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.






Junot



Homem do povo

Alguns dos artistas bonecreiros



ONTEM, NO FORTE DE S. VICENTE

Reconstituição de cenas da guerra peninsular, no Forte de S. Vicente (Torres Vedras), em 9 de Maio de 2010



Disparando por trás do parapeito, acima do fosso. 
Ao fundo, a capela de S. Vicente.



Os soldados preparam-se para o combate,  depois de uma oração com o frade



Preparando as espingardas



Disparando para fora do parapeito




Treinando o tiro, à voz de "Fogo!"


Canhão preparado para o combate



Mulheres do povo, resistentes da guerrilha popular.  Elas apoiavam o exército nos abastecimentos e quando era preciso também lutavam com o que tinham à mão: chuços, foices roçadoras, varapaus...





Uma benção antes do combate

05/05/10