12/11/11

DOIS ARTIGOS NA WIKIPÉDIA

 
Podemos encontrar uma descrição histórica fidedigna e bem fundamentada nestes artigos da wikipédia,  - enriquecidos com gravuras, esquemas e mapas, - da autoria do nosso associado Manuel Gouveia Mourão:




Origem do mapa AQUI

1811 foi o ano da retirada das tropas francesas, comandadas por Massena.

Recordemos a cronologia da 3ª Invasão:
1810-06-24 Combate do Côa

1810-08-15 Início do Cerco de Almeida

1810-08-28 Capitulação de Almeida

1810-09-27 Batalha do Buçaco

1810-10-11 Os franceses param frente às Linhas de Torres Vedras

1810-11-15 Retirada para a região Leiria - Rio Maior – Santarém – Tomar

 1811-03-04 Início da retirada francesa da região Leiria - Rio Maior – Santarém – Tomar

1811-03-11 Combate de Pombal

1811-03-12 Combate da Redinha

1811-03-14 Combate de Condeixa

1811-03-15 Combate de Foz do Arouca

1811-03-18 Combate de Ponte de Murcela

1811-03-29 Combate da Guarda

1811-04-03 Combate do Sabugal

1811-05-03 a 05 Batalha de Fuentes de Oñoro

1811-04-07 Início do cerco de Almeida pelas tropas anglo-lusas

1811-05-10/11 Fuga da guarnição francesa de Almeida

09/11/11

MAIS UM LIVRO SOBRE AS LINHAS DE TV



AS LINHAS DE TORRES VEDRAS: UM SISTEMA DEFENSIVO A NORTE DE LISBOA / coord. Miguel Corrêa Monteiro; [ textos de ] António Ventura, Alexandre de Sousa Pinto, António Pedro Vicente. - Torres Vedras : PILT (Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres), 2011. 238 p. : il. ; 28 cm

Este livro resulta da cooperação da  Academia Portuguesa da História com a PILT - estrutura intermunicipal que congrega os seis municípios (Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira) da base territorial das Linhas. Chegou-nos recentemente às mãos, com a indicação de que havia sido lançado em Junho do corrente ano. A distribuição está a cargo dos referidos municípios.


É uma obra de síntese que congrega o estado atual dos conhecimentos sobre o tema das Linhas de Torres Vedras no quadro da Terceira Invasão Francesa.
Divide-se em três grandes partes, a saber:

                   I - Contextualizar as Linhas ( António Ventura)
                  II - A estratégia e a tática de Wellington para a defesa de Portugal (Alexandre de Sousa 
                       Pinto)
                III - As Linhas de Torres Vedras: impactos económicos e sociais ( António Pedro Vicente)

Em  ANEXOS encontramos alguns textos históricos de reconhecida importância como sejam o "Memorando" de Wellington ao Ten. Cor Fletcher com as indicações operacionais sobre a construção das Linhas; ou a proclamação de Masséna aos portugueses, ou, ainda, sínteses biográficas dos generais que participaram nas operações.
Para além das indicações bibliográficas, encontramos os sempre úteis e indispensáveis Índices Remissivos (toponímico e antroponímico) elaborados por Carlos Guardado da Silva e Carlos Silveira.

Um obra de referência, em jeito de remate das Comemorações do Bicentenário da construção das Linhas de Torres Vedras.



07/11/11

XX COLÓQUIO DE HISTÓRIA MILITAR - MEMÓRIAS DA GUERRA PENINSULAR



A Comissão Portuguesa de História Militar leva a efeito o XX Colóquio de História Militar nos próximos dias 15, 16, 17 e 18 de Novembro, subordinado ao tema

A GUERRA PENINSULAR EM PORTUGAL (1810-1812)
Derrota e Perseguição. A Invasão de Masséna e a Transferência das Operações para Espanha

29/07/11

RECUPERAÇÃO E RESTAURO DE DOIS FORTES DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

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No blogue da Associação do Património de Torres Vedras damos conta mais pormenorizada do trabalho realizado no Forte de S. Vicente e no dos Olheiros - duas das mais expressivas construções militares das Linhas de Torres Vedras, situadas à saída e a poente da cidade.
Salientamos a reconstrução do poste de sinalização - telégrafo de sinais - que funcionará no reduto 21 do Forte de S. Vicente como demonstração em dias especiais.


Telégrafo de sinais, Forte de S. Vicente, Julho 2011
Sondagens arqueológicas no Forte de S. Vicente Abril de 2011

Obras de consolidação das paredes de sustentação
Forte dos Olheiros, Abril 2011

Obras no Paiol do Forte dos Olheiros, Abril 2011

Obras concluídas no Forte dos Olheiros, Julho 2011

Paiol do Forte dos Olheiros, Julho 2011




Forte de S. Vicente, Julho 2011

Canhoneiras do Forte de S. Vicente, Julho 2011

Forte de S. Vicente, Julho 2011

Ermida - restaurada nos anos 80 do séc. XX  - do Forte de S. Vicente, Julho 2011


12/03/11

CHEGÁMOS AO FIM DE UM CICLO

Este blogue foi criado no âmbito das comemorações dos 200 anos da Guerra Peninsular e das Linhas de Torres Vedras. Durante mais de dois anos esforçámo-nos por fazer deste espaço um lugar de divulgação de conhecimentos sobre este período da nossa História. Contámos com a colaboração de um grupo de pessoas que deram muitas horas do seu tempo para a concretização deste projecto. A Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras manifesta aqui o seu mais vivo reconhecimento por essa colaboração, empenhada e totalmente gratuita.

Este espaço continuará aberto a quem dele necessitar. Textos, gravuras, livros, ligações para sites relacionados... Os curiosos, os amantes da História, os nossos estudantes encontrarão aqui muitas pistas úteis para o seu trabalho.

A partir de agora o ritmo de publicações neste blogue será mais irregular, como é natural. Mas continuaremos a vir aqui, sempre que tivermos algo a partilhar com os nossos amigos e visitantes em geral.

O nosso "obrigado" a todos.

06/02/11

SUPLEMENTO Nº 4 - BICENTENARIO DAS INVASÕES FRANCESAS - 28 JAN 2011


Poema de Luís Filipe Rodriges, ilustração de José Pedro Sobreiro, in: ESCRITO À MÃO DUZENTOS ANOS DEPOIS, ed. Câmara Municipal de Torres Vedras, 2009

A RETIRADA DE MASSENA E O FIM DAS INVASÕES FRANCESAS

Manuel Gouveia Mourão *


No dia 11 de Outubro de 1810, o exército francês chegou às Linhas de Torres Vedras. Após alguns combates de pouca monta, Massena reconheceu que, sem receber reforços, não tinha condições para ultrapassar este formidável obstáculo. A sua progressão para Lisboa teria de esperar que a ajuda viesse de outras tropas francesas, em Espanha. Como sabemos, essa ajuda não chegou e Massena não podia permanecer indefinidamente nas posições que ocupava entre as Linhas de Torres e a constante acção de milícias e camponeses que flagelavam a retaguarda do seu exército.

Os franceses enfrentavam um problema que punha em causa a sua capacidade de sobrevivência: a falta de géneros alimentares. O exército francês, para além de uma dotação base com que partia para cada campanha, abastecia-se nos territórios por onde passava. Essa experiência tinha dado bons resultados nas terras ricas da Europa Central mas as condições da Península Ibérica eram, em geral, diferentes. Além da relativa pobreza de muitos territórios, Wellington tinha ordenado que se retirasse do percurso a ser seguido pelo exército invasor tudo o que poderia abastecê-lo. Em grande parte essa ordem foi cumprida e, algum tempo depois de chegarem às Linhas de Torres, as tropas francesas enfrentavam a fome e o consequente aumento de doenças, o que provocou numerosas baixas nos seus efectivos.

Assim, a meados de Novembro, os franceses efectuam o primeiro movimento para a retaguarda indo ocupar uma região definida por Leiria, Rio Maior, Santarém e Tomar. A possibilidade de alimentar as tropas era aí maior mas não isenta de dificuldades pois estavam no início do Inverno. Podiam, no entanto, procurar alimentos na margem sul do Tejo mas as tentativas feitas para atravessar este rio fracassaram devido à acção de uma força militar que Wellington para ali enviara. Depressa se esgotaram os parcos recursos da região que então ocupavam e Massena não teve outra solução que iniciar a retirada.



O exército de Massena iniciou a sua marcha em direcção ao vale do Mondego no dia 4 de Março. Foi constituída em Leiria uma Guarda da Retaguarda para proteger o movimento do resto das tropas. Até ao dia 5 de noite permaneceram algumas unidades nos mesmos locais para iludir a vigilância das tropas anglo-portuguesas. Quando, no dia 6, Wellington teve conhecimento que os franceses tinham retirado de Santarém, foi iniciada a perseguição. O objectivo era atacar continuamente os franceses para provocar o maior número de baixas, fazer prisioneiros e impedir que eles conseguissem reorganizar-se e ocupar uma boa posição defensiva. Assim nunca estariam em condições de enfrentar as tropas perseguidoras e seriam obrigados a continuar a retirada até território seguro – neste caso, Espanha.

Na sua marcha até ao vale do Mondego, as tropas francesas foram continuamente pressionadas pelo exército de Wellington. Registavam-se alguns encontros entre as tropas dos dois exércitos. Destes são mais conhecidos os combates em Pombal e Redinha. Tendo encontrado forte resistência nas pontes que lhe possibilitavam a travessia do Mondego, Massena decidiu retirar em direcção a Espanha. Registaram-se mais combates em Condeixa, Casal Novo, Foz do Arouca e Ponte de Murcela. Entretanto, os franceses, com a finalidade de apressarem a marcha, começaram a desfazer-se de tudo o que não era essencial à sua sobrevivência: bagagens, carros de munições e até os próprios animais de carga.

Na noite de 18 para 19 de Março, os franceses fizeram, sem paragens, o trajecto de Ponte de Murcela à Chamusca (perto de Oliveira do Hospital). Foram 36 km percorridos com pouca visibilidade, por maus caminhos nas montanhas. As tropas anglo-lusas que os perseguiam fizeram cerca de 600 prisioneiros. Para tropas cansadas, esfomeadas e desmoralizadas, temos de reconhecer que este é um esforço notável. No dia 21 de Março chegaram a Celorico.

MASSENA NÃO DESISTE
Massena continuava com a ideia de cumprir as ordens que tinha recebido de Napoleão: capturar Lisboa. Pensou em encaminhar as suas tropas para a Estremadura espanhola e, a partir daí, com o apoio de outras forças francesas, voltar a ameaçar Portugal. Mas as condições do seu exército eram já muito más e, nestes casos, as acções de insubordinação aparecem facilmente. O caso mais importante foi a insubordinação do marechal Ney a quem Massena acabou por retirar o comando do 6º Corpo de Exército. Massena acabou por reconhecer a impossibilidade de concretizar aquele plano e, no dia 29 de Março, deu ordens para as forças se concentrarem na Guarda para daí seguirem para Ciudad Rodrigo.

Neste percurso para Ciudad Rodrigo, o exército francês fez uma paragem na região do Sabugal, perto da fronteira, na margem oriental do rio Côa. Aí foram atacados pelas tropas de Wellington e foi travada a batalha do Sabugal, sendo os franceses obrigados a retomar apressadamente a sua retirada, atravessando a fronteira no dia seguinte. Ficava em Portugal, na praça de Almeida, uma guarnição francesa que Massena não esqueceu e procurou libertar.

Wellington tinha posto cerco à praça de Almeida desde 7 de Abril mas o exército de Massena recompôs-se mais rapidamente que o esperado e, em breve, dirigia-se novamente naquela direcção. O cerco foi mantido com um número muito reduzido de tropas e Wellington tomou as disposições necessárias para impedir o avanço do seu inimigo. Os dois exércitos encontraram-se na região de Fuentes de Oñoro. Os combates tiveram início no dia 3 de Maio, foram quase interrompidos no dia 4 para reorganização dos dispositivos e o embate principal deu-se no dia 5. O exército de Massena sofreu outra importante derrota e ficava afastada, em definitivo, a possibilidade de socorrer Almeida.

Wellington voltou ao cerco daquela praça. Pensou que conseguiria obrigar a guarnição francesa a render-se pela fome pois eles não tinham possibilidades de serem abastecidos. Mas Massena conseguiu fazer chegar um correio ao interior da praça. Este correio continha instruções para uma tentativa de fuga da guarnição. Pouco antes da meia-noite do dia 10 de Maio, a guarnição francesa que se encontrava em Almeida saiu da praça pela porta norte e conseguiu abrir caminho pelo cordão de vigilância montado à volta da fortaleza. No dia seguinte de manhã, tinha-se reunido às tropas francesas que os esperavam do outro lado do rio Águeda. As últimas tropas francesas que tinham participado na terceira invasão saíram finalmente de Portugal.

IMPORTÂNCIA DAS TROPAS IRREGULARES
Durante todo o percurso, entre as Linhas de Torres Vedras e a fronteira portuguesa, os franceses não enfrentaram apenas as tropas que os perseguiam. Quando Wellington recolheu às Linhas de Torres, em Outubro de 1810, mantiveram-se em várias zonas do País tropas irregulares, sendo as mais importantes os regimentos de milícias. Estas tropas que, pela sua natureza, não estavam preparadas para confrontos abertos com tropas regulares e bem preparadas como eram as do Exército Francês, tiveram um papel importantíssimo nas acções que acabámos de descrever. Basta dizer que, enquanto Massena se manteve frente às Linhas ou na região de Santarém, a sua retaguarda esteve permanentemente ameaçada e as suas comunicações com Espanha, para serem mantidas, exigiam escoltas de centenas de homens. Foram também estas tropas que impediram os franceses de passarem para a margem norte do Mondego. Esta é uma componente da guerra muitas vezes esquecida.

Os franceses tinham saído de Portugal mas a guerra não tinha acabado. Já não se tratava apenas de expulsar os franceses de Portugal. Era necessário derrotá-los em toda a Península e, quando isso foi conseguido, em toda a Europa. Por isso a guerra continuou até 1814 e o exército de Wellington continuou a ser formado por tropas britânicas e portuguesas, mais tarde também por tropas espanholas. Por isso o Exército Português continuou a enviar tropas para combater em Espanha e, a partir de 1813, em França. Os combates só terminaram quando, no sul de França, o Marechal Soult, nomeado comandante das tropas francesas na região, se rendeu a Wellington, a 17 de Abril de 1814. Terminava então a Guerra Peninsular. * Coronel na reserva

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Combate de Pombal


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CRONOLOGIA DA RETIRADA DE MASSENA

1810-06-24 Combate do Côa
1810-08-15 Início do Cerco de Almeida
1810-08-28 Capitulação de Almeida
1810-09-27 Batalha do Buçaco
1810-10-11 Os franceses param frente às Linhas de Torres Vedras
1810-11-15 Retirada para a região Leiria - Rio Maior – Santarém – Tomar

1811-03-04 Início da retirada francesa da região Leiria - Rio Maior – Santarém – Tomar
1811-03-11 Combate de Pombal
1811-03-12 Combate da Redinha
1811-03-14 Combate de Condeixa
1811-03-15 Combate de Foz do Arouca
1811-03-18 Combate de Ponte de Murcela
1811-03-29 Combate da Guarda
1811-04-03 Combate do Sabugal
1811-05-03 a 05 Batalha de Fuentes de Oñoro
1811-04-07 Início do cerco de Almeida pelas tropas anglo-lusas
1811-05-10/11 Fuga da guarnição francesa de Almeida

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CENAS DE GUERRA

ATITUDES HUMANAS EM TEMPO DE GUERRA
José NR Ermitão


Muitos militares ingleses, soldados e até oficiais, tiveram para com os portugueses um comportamento violento absolutamente condenável. E tanto mais condenável quanto foram recebidos de um modo caloroso e até festivo. O próprio Wellington queixava-se de que não havia correio ou relatório que recebesse que não trouxesse um rol de queixas contra violências e desmandos cometidos pelas tropas britânicas.
Tão negativo quanto este péssimo comportamento era a atitude geral de condescendência, de superioridade, de arrogância britânicas relativamente aos portugueses, em muitos casos considerados de forma inferior ou como uns incapazes, até para defender o seu próprio país. Os ingleses tinham de facto uma péssima ideia sobre as nossas capacidades bélicas e só começaram a alterar esse ponto de vista depois de verificarem a va-lentia dos soldados portugueses na Batalha do Buçaco.

Mas felizmente que nem todos assim pensavam ou agiam. Muitos militares ou ci-vis incorporados no exército britânico eram homens de elevada formação cultural e fortes sentimentos humanos que, despindo-se da arrogância dos seus compatriotas, olharam o país e os seus habitantes com outros olhos, mais objectivos e menos preconceituosos, e desse olhar diferente deram o devido testemunho em cartas, memórias, narrativas diversas, em muitos casos acompanhados de desenhos de paisagens, tipos sociais e cenas do quotidiano. Mais tarde, passada a guerra, publicaram-nas, e assim terão contribuído para alguma mudança da opinião pública inglesa a nosso respeito.
Esses militares e civis (médicos, padres e funcionários), ao chegarem ao nosso país, ao serem confrontados com uma realidade humana, social e até natural muito diferente da sua, acabaram ou por lhe dar uma atenção específica ou por mostrar elevados sentimentos humanos. Ou descrevem o país destroçado pela guerra e o sofrimento dos seus habitantes, ou descrevem a beleza das paisagens, os tipos sociais e cenas de quotidiano, ou demonstram um humanismo raro em tempos de guerra.
Das muitas obras publicadas e que revelam estes aspectos, apresentarei, nos três artigos seguintes, outros tantos textos. O primeiro texto é de Moyle Sherer, um militar que demonstra não só um encanto, quase um êxtase, perante tudo o que vê, desde as cidades às cenas mais triviais – que procura entender como expressões próprias de um povo diferente – como condena as atitudes de sobranceria dos seus compatriotas.

O segundo texto, de autor que não consegui identificar, revela um comportamento de elevado sentido humano por parte de dois militares ingleses. No texto de Moyle Sherer, um texto de paz, a guerra está longe embora paire como ameaça; mas no segundo ela está muito próxima: as populações estão em fuga perante o avanço francês. O terceiro texto, de Simon Frazer, é típico do militar em viagem que, com objectividade surpre-endente, vai descrevendo o ambiente humano carregado das consequências destrutivas da 3ª invasão.
Por último, uma nota para dizer que também militares franceses houve que praticaram actos de elevado sentido humano, em contradição com a violência geral dos restantes. Refiro, por exemplo, um caso contado por Guingret durante a 3ª invasão. Próximo de Leiria, um «bravo soldado» apresentou-lhe uma jovem e sua mãe, de uma família «conhecida e respeitada em Portugal», que tinha conseguido arrancar das mãos de soldados que se preparavam para as atacar, sobretudo a filha, da pior maneira. Guingret – que condenava o modo como os soldados atacavam de forma vil as mulheres – rodeou-as de todos os cuidados e fê-las conduzir para longe pelo digno soldado que as salvou da ignomínia. Meses depois, já em Espanha, um homem disfarçado de camponês espanhol conseguiu entregar a Guingret uma carta. Era da senhora portuguesa, que afectuosamente lhe agradecia a protecção dada. E, juntamente com carta, um presente em ouro para o soldado que tinha salvo a honra da filha – presente que Guingret devolveu porque o soldado tinha entretanto morrido em combate...
Enfim, gestos e atitudes de paz em tempos de guerra...


Cerco de Ciudad Rodrigo

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CENAS DE GUERRA

O VENTURINHO DO POÇO
José NR Ermitão


Assim mesmo, em português, é intitulada uma pequena história contida na colec-tânea «Peninsular Sketches by actors on the scene», editada por W. H. Maxwell em 1845, que reúne um conjunto de histórias reais de militares que participaram na Guerra Peninsular. Esta história, sem indicação do autor, exemplifica bem os traços de humanidade de um militar inglês que, em situação de fuga dos povos perante a ameaça dos franceses, não só salva uma criança portuguesa de um sofrimento e morte atrozes como, por não saber dos pais, se afeiçoa a ela e lhe possibilita – através do major do regimento – uma vida social que provavelmente nunca teria no país.
Em cenário devastado pela guerra, a presença de uma papoila a gritar pela vida! Relativamente ao original, a tradução é livre e um tanto abreviada.

“Na manhã de 10 de Outubro (de 1810), cavalgando de Calhandriz para Alverca, ouvi a alguma distância o gemido queixoso de uma criança. Parei para ouvir; o som parecia vir da terra. Procurando, abeirei-me de um poço em cujo fundo estava a criança, completamente nua, sentada sobre uma camada de lama. Por sorte, o poço estava sem água. Ao ver-me, levantou as mãozitas para mim e gritou “Mãe! mãe! Minha mãe!” Usando os arreios, puxei-a para cima. Era um rapazito, estava completamente enlameado e tinha sangrado do nariz. De resto estava bem, salvo uma ferida na testa. Já caminhava mas mal falava, de modo que nada me pôde dizer sobre os pais nem como tinha ido parar dentro do poço. Embrulhado numa capa, pu-lo na sela e assim fomos até Alverca, onde o entreguei à mulher de um sargento do aquartelamento, que o vestiu e tratou dele.

Tratei de publicitar o caso em Lisboa e noutras cidades, descrevendo a criança e as circunstâncias em que a tinha encontrado, mas ninguém a reclamou. Entretanto o ra- paz ia crescendo e em breve se familiarizou connosco. Em poucas semanas aprendeu muitas palavras inglesas e já sabia pedir pão e manteiga. Se eu mencionasse a história do poço na sua presença empalidecia e quase desmaiava de terror. Enfim, era um bonito rapaz, de cabelo castanho escuro encaracolado, tez oli-vácia e olhos brilhantes. Com o passar do tempo não só fui perdendo a esperança de encontrar os pais, como se ia fortalecendo o meu interesse pelo seu bem estar; e como ele não dava conta do seu nome, os portugueses que comigo andavam deram-lhe o nome de “Venturinho do Poço”, e os in-gleses de “Little Fortunatus of the Well” (Pequeno Afortunado do Poço).

A incrível circunstância em que o encontrei em breve se tornou conhecida no re-gimento a que eu pertencia e chamou a atenção do respectivo major. Um dia, em que conversávamos sobre diversos assuntos, ele orientou a conversa para a questão do rapazito e perguntou-me, com seriedade, o que é eu pensava fazer no caso de nem os seus pais ou parentes serem encontrados. Eu disse-lhe que, de facto, ainda não tinha tomado nenhuma resolução; mas que, não havendo alternativa, o levaria para Inglaterra, como comemoração da minha campanha militar na Península, e o criaria com a meia dúzia de filhos que já tinha. É então que o major se oferece para se res-ponsabilizar pela criança e até adoptá-la. O major era pessoa educada, rica e não tinha filhos; e como tal oferta prometia um futuro favorável ao rapaz, não hesitei em passar-lhe os direitos paternais sobre o pequeno Ventura.

O major enviou a criança para a Irlanda para lá ser educada, e por este motivo nada soube dela durante cinco ou seis anos. Entretanto o rapaz frequentou a escola e desenvolveu capacidades que parece terem fixado definitivamente a ligação do major pa-ra com ele. Depois, nunca mais tive contacto com o major ou com o Ventura que, entretanto, já se deve ter tornado adulto; e é mais que provável que tenha alcançado uma posição social muito mais elevada do que os seus pais alguma vez lhe poderiam proporcionar. Mau grado os desastres que se abateram sobre o seu país, bem pode agradecer aos Céus a mão da Divina Providência que o tocou” – pela mão de militares ingleses atentos à vida, tanto quanto às suas funções bélicas!

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SUGESTÕES DE LEITURA



AS LINHAS DE TORRES VEDRAS - INVASÃO E RESISTÊNCIA – 1810/1811. - Edição Câmara Municipal de Torres Vedras e Ed. Colibri, Lisboa, 2010.


Da autoria de Cristina Clímaco, uma torriense a trabalhar em França como professora universitária, esta obra é a sua tese de Licenciatura apresentada na Universidade de Paris VII. A autora esclarece na Introdução:

«Propomo-nos desenvolver três ideias que nos parecem fundamentais para uma nova abordagem da problemática: os construtores das Linhas, ou seja, esses homens e mulheres que, de boa ou má vontade, foram obrigados a colaborar na construção das fortificações; a frustração do exército francês perante a barreira intransponível que constituiu as Linhas; e finalmente os danos que o plano de defesa de Portugal, materializado nas Linhas, infligiram no país. Os aspectos técnicos da construção e da estratégia de defesa serão tanto quanto possível dei¬xados de lado ou limitados ao estrito necessário para a compreensão do princí¬pio defensivo sobre o qual assentam as Linhas de Torres Vedras.»

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A ASSOCIAÇÃO DO PATRIMÓNIO E O BICENTENÁRIO


Em Janeiro de 2008 iniciámos na imprensa regional a publicação de um conjunto de textos evocativos da Guerra Peninsular / Invasões Francesas. Foi uma das formas de participação da Associação de Defesa do Património de Torres Vedras no Bicentenário das comemorações destes acontecimentos históricos. Damos hoje por concluída esta iniciativa, com um balanço que nos parece positivo: 61 textos na rubrica “Bicentenário das Invasões Francesas” ( jornal Badaladas); 24 textos na rubrica “Imagens da Guerra Peninsular” ( jornal FrenteOeste); 4 Suplementos de 4 páginas a cores no jornal Badaladas. Total de colaboradores: 17. Total de textos: 96.

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Ficha Técnica:

Coordenação: Joaquim Moedas Duarte
Textos: Cor. Manuel Gouveia Mourão, José Ermitão, Luís Filipe Rodrigues
Imagem e paginação: josé Pedro Sobreiro
Execução gráfica: Carlos António Ferreira

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24/01/11

BALANÇO - TEXTOS PUBLICADOS

TEXTOS NO SEMANÁRIO DE TORRES VEDRAS  "BADALADAS"


Nº - Data - Título - Autor


1 25-01-08 Manter viva a memória J. Moedas Duarte

2 15-02-08 Guerra Peninsular Carlos Guardado

3 29-02-08 Napoleão J. Travanca Rodrigues

4 14-03-08 França e Inglaterra em confronto J. Travanca Rodrigues

5 28-03-08 Guerra Peninsular: Porque é que Portugal se viu envolvido J. Moedas Duarte

6 11-04-08 A 1ª Invasão Francesa Graça Mira

7 25-04-08 A 2ª Invasão Francesa Mª Guilhermina Pacheco

8 09-05-08 A 3ª Invasão Francesa Manuela Catarino

9 23-05-08 Jacinto Correia, um herói popular Ten.Coron. Abílio Lousada

10 13-06-08 “Brilos”: um enigma histórico Pedro Fiéis

11 27-06-08 A batalha de Dois Portos Venerando A de Matos

12 18-07-08 A batalha da Roliça Pedro Fiéis

13 25-07-08 O príncipe Regente D. João comunica a passagem da família real para o Brasil José Ermitão

14 01-08-08 Doutrinas militares em confronto na Guerra Peninsular: os Franceses Pedro Fiéis

15 15-08-08 Doutrinas militares em confronto na Guerra Peninsular: os Ingleses Pedro Fiéis

16 22-08-08 A batalha do Vimeiro Pedro Fiéis

17 12-09-08 As denúncias contra os partidários dos franceses José Ermitão

18 26-09-08 As aguadeiras do exército francês Pedro Fiéis

19 10-10-08 A conspiração do Porto [1] João Flores Cunha

20 24-10-08 A conspiração do Porto [2] João Flores Cunha

21 14-11-08 Manifesto de declaração de guerra à França José Ermitão

28-11-08 1º Suplemento “Bicentenário Inv. Francesas” Venerando A. Matos / Pedro Fiéis / Luís F. Rodrigues

22 12-12-08 A Comemoração do 1º centenário da Guerra Peninsular Célia Reis

23 02-01-09 Marrocos e a 1ª Invasão Francesa José Ermitão

24 16-01-09 História e Literatura de ficção. As Aventuras de Richard Sharpe, um herói no tempo das guerras napoleónicas Manuela Catarino

25 30-01-09 Continuar a manter viva a memória J. Moedas Duarte

26 13-02-09 Revolta populares no Algarve contra os franceses de Junot Henrique Vieira

27 27-02-09 Simão J. da Luz Soriano, historiador…(1) José Ermitão

28 20-03-09 “ “ (2) José Ermitão

29 03-04-09 Dias 1 e 2 de Maio: Visita guiada a Almeida… J Moedas Duarte

30 24-04-09 Um correspondente de guerra na Seg Invasão Pedro Fiéis

31 15-05-09 Almeida e Buçaco: notas de viagem Manuela Catarino

32 29-05-09 A “protecção britânica”: duas cartas de lord Wellington José Ermitão

33 12-06-09 1809: Segunda Inv Franc. Cronologia… J. Moedas Duarte

34 26-06-09 A 2ª Inv francesa (1) As instruções e a realidade José Ermitão

35 10-07-09 A 2ª Inv Francesa (2) Tudo vai ser diferente José Ermitão

36 07-08-09 A 2ª inv Franc (3) Às armas, portugueses, às armas! José Ermitão

14-08-09 2º Suplemento “Bicentenário Inv. Francesas” J. Ermitão / Manuela Catarino/ Venerando Matos / Luís F. Rodrigues

37 28-08-09 Um outro lado das Invasões francesas nas Memórias do Marechal Soult Manuela Catarino

38 11-09-09 A 2ª Inv franc Dos anónimos ao brigadeiro Silveira José Ermitão

39 25-09-09 A 2ª Inv franc Pormenores importantes José Ermitão

40 09-10-09 Um cirurgião na frente de batalha:Dominique Jean Larrey Manuela Catarino

41 30-10-09 A decisão do Duque de Wellington em 1809 Venerando de Matos

42 13-11-09 200 anos depois J. Moedas Duarte

43 27-11-09 Memória do Brigadeiro Neves Costa J. Moedas Duarte

44 11-12-09 Miguel Pereira Forjaz José Ermitão

45 08-01-10 As Linhas de Torres Vedras vistas por um general francês J. Moedas Duarte

46 22-01-10 A batalha do Côa J. Moedas Duarte

47 12-02-10 Ao encontro da História ADDPCTV

48 26-02-10 O marechal Massena Guilhermina Pacheco

49 12-03-10 A oposição ao plano de defesa de Wellington Rui Prudêncio

50 02-04-10 Napoleão faz estremecer a Europa J. Moedas Duarte

51 16-04-10 Visita guiada ao Forte da Forca ADDPCTV

52 07-05-10 Cenas da 3ª Invasão – Uma carta de Wellington a Massena José Ermitão

14-05-10 3º Suplemento – Bicenten. Inv. Francesas André Melícias / Rui M. Prudêncio / J. Ermitão / Luís F. Rodrigues

53 11-06-10 Nova carta a Massena José Ermitão

54 02-07-10 Desinformação em tempo de guerra José Ermitão

55 16-07-10 Quotidiano em tempos de guerra – “Malditos figos! Malditos figos!” Manuela Catarino

56 30-07-10 De Santarém a Vila Franca – A decisão do duque de Wellington em 1809 José Ermitão

57 13-08-10 Tempo de guerra: portugueses, espanhóis e ingleses José Ermitão

58 27-08-10 Almeida rende-se à tragédia J. Moedas Duarte

59 10-09-10 Tempo de guerra – Os bons e os maus José Ermitão

60 15-10-10 Batalha do Buçaco Ten. Cor. Abílio Lousada

61 05-11-10 Tempo de Guerra – Portugueses, ingleses e franceses José Ermitão

28-01-11 4º Suplemento – Bicenten. Inv. Francesas Cor. Manuel Mourão / J. Ermitão / Luís F. Rodrigues

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TEXTOS NO SEMANÁRIO DE TORRES VEDRAS "EM FRENTE OESTE" (Entretanto extinto)



Nº Data Título Autor




1 05 FEV Guardar bem viva a memória J Moedas Duarte

2 12 FEV Início da Revolução Francesa Manuela Catarino

3 19 FEV Ventos de liberdade – Antecedentes da Guerra Peninsular Manuela Catarino

3 26 FEV Tempestade no horizonte – Portugal entre a França e Inglaterra J Moedas Duarte

4 05 MAR A “Guerra das Laranjas” e a perda de Olivença J Moedas Duarte

5 12 MAR Figuras históricas: D. João VI Mª Guilhermina Pacheco

6 19 MAR A primeira obra histórica sobre a invasão dos franceses José Ermitão

8 26 MAR Que nome dar a esta guerra? Carlos Guardado da Silva

9 02 ABR Napoleão José Travanca Rodrigues

10 09 ABR A Corte portuguesa no Brasil Mª Guilhermina Pacheco

11 16 ABR A primeira invasão francesa J. Moedas Duarte

12 23 ABR Jacinto Correia, um herós popular de Mafra Ten Cor Abílio Lousada

13 30 ABR Mulheres no exército francês Pedro Fiéis

14 07 MAI História das Linhas de Torres Vedras – TURRES VETERAS XII ADDPCTV

15 14 MAI Moinho de Brilos: o primeiro combate Pedro Fiéis

16 21 MAI O General Junot J Moedas Duarte

17 28 MAI Laura Permon, a mulher do General Junot J Moedas Duarte

18 04 JUN A batalha da Roliça Pedro Fiéis

19 11 JUN Figuras históricas: D. Carlota Joaquina Mª Guilhermina Pacheco

20 18 JUN Batalha do Vimeiro Pedro Fiéis

21 25 JUN Um túmulo no meio da paisagem J Moedas Duarte

22 02 JUL A ADDPCTV na Comemoração dos 200 anos da Guerra Peninsular JMoedas Duarte

23 09 JUL Duque de Wellington Mª Guilhermina Pacheco

24 16 JUL Cena histórica com toque de Aquilino João Flores Cunha

Em Agosto a Direcção da ADDPCTV decidiu cancelar a colaboração com o Frente Oeste, na sequência da demissão do corpo redactorial do jornal, o qual viria a encerrar alguns meses depois.

21/01/11

BALANÇO

                                           Visitas a este blogue no último ano


Este blogue foi iniciado em 6 de Março de 2008 com a primeira "entrada"(postagem) em que se enunciavam as razões da sua criação e os objectivos a prosseguir.
Quase três anos depois reconhecemos que o esforço valeu a pena, como podemos ver por esta breve estatística, feita a partir dos instrumentos facultados pelo Google.

Total de postagens feitas: 182
Total de visitas desde o início: 12 263
Total de visitas entre Janeiro de 2010 e Janeiro de 2011 ( até hoje): 10 590

Verifica-se que o ano de 2010 foi o melhor por várias razões:

- 2010 marca o bicentenário das Linhas de Torres Vedras;

- Nas escolas houve um incremento maior na abordagem do tema, o que levou os alunos a maior  
  pesquisa;

- A Associação do Património de T Vedras fez um esforço maior de divulgação, através do Facebook
  e de contactos directos com as escolas;

- Esta Associação divulgou e realizou mais de uma dezena  de Sessões Públicas intituladas "Ao
   Encontro da História", a maior parte das quais em instalações escolares;

- A mesma Associação manteve, desde Janeiro de 2008, no Jornal Badaladas e no extinto
  FrenteOeste duas colunas de divulgação histórica sobre as Invasões Francesas. Os 96 textos aí
  publicados, da responsabilidade de 17 autores, foram transcritos neste blogue;

- Na coluna da esquerda do blogue foi sendo construída uma bibliografia seleccionada de livros
  publicados em Português sobre a Guerra Peninsular, o que decerto foi útil para os estudantes e
  outros interessados no assunto. Total de livros recenseados até hoje, com um pequeno texto de
  apreciação: 61.

Julgamos que se justifica a continuidade deste blogue, embora o ritmo de postagens seja menor, já que as referidas colunas na imprensa terminaram. Mas as Linhas de Torres Vedras continuam a ser um importante núcleo monumental e um testemunho histórico que deverá ser preservado e divulgado, com uma cada vez maior ligação ao Turismo.

Queremos que este blogue se constitua como referência útil para os estudantes e curiosos da História, de hoje e de amanhã.
Isso será a melhor justificação e recompensa para o nosso trabalho.

11/01/11

CATÁLOGO




Foi recentemente disponibilizado ao público o tão esperado Catálogo da Exposição "1807 / 1814 GUERRA PENINSULAR", inaugurada em Novembro de 2019 e patente ao público até 2012, no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras.
É uma edição da Câmara Municipal de Torres Vedras, em Português e Inglês, de grande qualidade gráfica e documental. Inclui os discursos da abertura das Comemorações do Presidente da República e do Comissário do Programa comemorativo, e um CD com textos para audição. 223 pp.

INVASÕES FRANCESAS - 200 ANOS, MITOS, HISTÓRIAS E PROTAGONISTAS. Rui Cardoso, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2010. 285 pp.

Rui Cardoso é editor da secção internacional do semanário Expresso e editor-executivo da revista Courrier Internacional. Este é um livro de divulgação, que abarca toda a época das Invasões Francesas.
Dir-se-ia que o autor quis responder aos que acham a História uma seca, com artigos curtos, de linguagem fácil e de abordagem ligeira. Mas preocupa-se com o rigor da informação, que de modo geral é fidedigna. Resulta um livro de leitura atraente, com muitos pormenores da chamada "pequena História" mas sem perder a perspectiva geral, escorada na organização cronológica dos aconteciemntos. No final junta uma curta mas bem seleccionada bibliografia, maioritaria e recentemente editada em Português bem como uma cronologia.

11/12/10

AINDA O CENTRO INTREPRETATIVO NO MONTE DA FORCA






Ante-visão do Centro Interpretativo apresentado pelos autores


Centro Interpretativo no Forte da Forca
O nosso desacordo

Já noutras ocasiões nos pronunciámos sobre o projecto do Centro Interpretativo no Forte da Forca , em Torres Vedras. Neste blogue abordámos o assunto em 25 / 12 / 2009.

Hoje, ao lermos o que se escreve no site oficial do Bicentenário das Linhas de TV, da Câmara Municipal de T Vedras, mais nos convencemos da necessidade de repensar tal projecto.
Veja-se o que lá diz:

«Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras
Forte da Forca


Trata-se de um projecto que a partir do conceito edifício-monumento, proporciona ao visitante um panorama global do período da Guerra Peninsular e, em concreto, do sistema defensivo construído para a defesa da capital, as Linhas de Torres Vedras.


Para além, do núcleo expositivo, que terá por base o espólio do Museu Municipal Leonel Trindade, este centro possuirá um forte conteúdo tecnológico. Terá ainda o mérito de requalificar todo o espaço interior do Forte da Forca


PROMOTOR: Câmara Municipal de Torres Vedras»

Discordamos por muitas razões.
Parece-nos pertinente transcrever aqui a posição da Associação do Património de T Vedras sobre este assunto, divulgada no início do corrente ano no jornal Badaladas e no blogue http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.com/



O CENTRO INTERPRETATIVO DAS LINHAS DE TORRES
E A SUA LOCALIZAÇÃO

Sobre o projecto de um centro interpretativo das Linhas de Torres aprovado pela Câmara em Março de 2007, na zona norte da cidade, têm surgido neste jornal [Badaladas] vários artigos de opinião, questionando o processo seguido, e, sobretudo, a sua localização no morro da Forca.

Posições pertinentes, oriundas de gente abalizada, com provas dadas nos campos da reflexão político-cultural (Rui Matoso), do planeamento urbanístico (António João Bastos), da prática política (Jorge Ralha) e da historiografia (Henrique Vieira). São opiniões que, em qualquer circunstância, devem contar.

E são posições que, na sua generalidade, esta associação partilha.

SOBRE O PROCESSO

Desde o anúncio sensacionalista surgido na primeira página do Badaladas, ilustração de página inteira, que nos pareceu haver algo de errado neste processo. É consensual que em qualquer obra, primeiro estabelece-se o conteúdo e depois procura-se a forma. Ora, aqui dá-se o inverso: - é proposta uma forma exterior (um boneco) sem que nada se saiba sobre o programa museológico – que espólio se vai expor, que narrativa é que se vai contar, que aspectos vão ser acentuados, a que tipo de público se vai dirigir, que valências/funções vai contemplar, que meios tecnológicos se vão utilizar.
E, não menos importante, quem o vai fazer?
Falta, pois, o Guião para se fazer o Filme!

Sobre a atitude que subjaz a este procedimento, por parte dos autores, muito haveria certamente a questionar, desde logo o significado da “oferta” de um projecto deste tipo. Mas não é esse o objectivo deste texto, para já.

Trata-se, de qualquer modo, de um equipamento cultural que diz respeito à comunidade, que implica diferentes valências e deverá ser objecto de várias contribuições.

SOBRE A LOCALIZAÇÃO

Interessa-nos aqui focar essencialmente a questão do local, que constitui já por si um factor interpretativo, sobretudo quando está em causa uma realidade histórico-geográfica como foi o complexo de fortificações que travou o exército de Massena.

O REDUTO DA FORCA

O morro da Forca insere-se num dos espaços geográficos mais simbólicos do complexo defensivo das Linhas – o triângulo S.Vicente, Castelo, Forca – que defendia a estrada de Coimbra para Lisboa, às portas de Torres Vedras. Contém vestígios do que terá sido um reduto fortificado,

Nesse sentido, é um local elegível para o efeito

Encontra-se, no entanto, muito adulterado na forma que tinha à data dos acontecimentos. A sua configuração é apenas observável a partir de alguns relevos muito esbatidos no terreno. A escarpa a norte, outrora impressionante como barreira natural, encontra-se hoje muito alterada pelos cortes efectuados para a construção das vias ferroviária e rodoviária, assim como pela proximidade de equipamentos comerciais recentes, criando uma vizinhança incómoda, como muito pertinentemente referiu J. Ralha. Assim, o que seria relevante do ponto de vista interpretativo – a ideia de barreira – está largamente comprometido face à dificuldade de leitura da actual configuração e ao ruído do aparato comercial.

Por outro lado, como refere A.J. Bastos, existem incompatibilidades com o PDM, a nível dos índices de construção previstos para a área – verde ecológico urbano – que implicam uma baixa percentagem da área de construção.

Movidos pela curiosidade deste argumento, quisemos certificar-nos da disponibilidade do espaço existente.

E, in loco, percebe-se claramente que o espaço disponível é insuficiente para receber um equipamento desta natureza, o qual supõe acessos fáceis, parques de estacionamento para ligeiros e autocarros, etc. O cimo do morro ficou reduzido a uma magra faixa de terreno, depois do corte efectuado para a construção de uma superfície comercial.

Fica-se, pois, com a sensação de que quem projectou e quem aprovou não conhecia bem a área.

Percebe-se, no entanto, a tentação que levou à sua escolha: - Se, como acima se referiu, a sua encosta norte está descaracterizada, impossibilitando uma leitura da estratégia militar de defesa, é certo que a vista de sul (desde o centro da cidade) está desimpedida e a implantação do edifício no alto do morro criaria um forte impacto visual, criando uma referência urbana positiva. Além de que a forma proposta garantia uma forte visibilidade, suscitando alguma curiosidade no habitante e no visitante.

Para quem elege a cultura-espectáculo até se percebe…!


O FORTE DE S. VICENTE

Se o objectivo é dar a conhecer as Linhas de Torres há que procurar como é que a geografia e o património construído nos permitem, ainda hoje, perceber o modo como se tentou obstar ao avanço das forças invasoras. Isto implica desde logo dois modos de abordagem: - uma visão de proximidade sobre os elementos que pontuavam as ditas linhas – os fortes, que nos fornecem elementos sobre as estratégias de defesa e combate; e uma visão de conjunto ou de largo alcance sobre o conjunto de elevações, que desde Torres Vedras se podem enxergar, e nos permitem perceber o próprio conceito de “linhas defensivas”.

Só depois, haverá que recorrer a outros auxiliares – museológicos, didácticos – para completar o quadro perceptivo dos acontecimentos – os mapas, o armamento, as fardas, as gravuras da época, a narração dos factos, os dados quantitativos, e outros elementos – que são tarefa do tal Centro Interpretativo. Com mais ou menos informática!

Ora, existe um local de eleição para fazer tudo isto – o Forte de S. Vicente!
O estado de conservação das suas estruturas e a sua altitude respondem aos dois primeiros requisitos que acima referimos, permitindo a observação de um dos mais importantes locais de aquartelamento e proporcionando uma ampla visão sobre uma parte considerável das linhas, para leste e para oeste. Dali divisa-se toda a cidade, o rio Sizandro, o Varatojo, o Monte da Archeira, a Serra do Socorro, o Sobral de Monte Agraço, etc.)
Quem sobe ao monte de S. Vicente percebe o essencial das Linhas!
Por outro lado existe nas proximidades um outro Reduto, em bom estado de conservação – o Forte dos Olheiros.

Existem acessos – e espaço para outros – bem como terreno disponível nas imediações, capazes de suportar uma edificação com suas áreas de apoio envolventes Estamos a pensar na encosta sul do monte, em local aprazível, de boa visibilidade desde a cidade e da circular poente - aspecto importante para o projecto e desfrutando de panorâmica grandiosa sobre a cidade e paisagem em redor.

É legítimo, pois, concluir que este é o local mais significativo e mais apropriado para receber um Centro Interpretativo das Linhas de Torres.
Isto se o conhecimento da História for o objectivo primeiro!

Janeiro de 2010 A Direcção da ADDPCTV


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Acrescentamos agora:


1. Um Centro Interpretativo deve ser isso, E SÓ! Deve ajudar a ver, interpretar os dados, transmitir conhecimento, ajudar a preservar memórias. Deve ser discreto, porque ao serviço de algo.
No entanto o projecto de que se fala aparece como uma imagem,é um fim em si, serve para marcar a paisagem, agiganta-se nela em detrimento do que devia servir.
Qual o projecto museológico inerente? Que públicos serve? Que ligação com as escolas e associações culturais? Que programas de divulgação? Nada se diz sobre isto.
De caminho faz-se referência ao espólio do Museu Municipal - que todos sabemos que é escasso, cabe numa sala... - e acrescenta-se um "forte conteúdo tecnológico", essa "Santa da Ladeira" que cauciona tudo e que compensaria a pobreza do resto.
Quer dizer: o edifício aparece e depois mete-se algo lá dentro, para lhe dar utilidade. Quando o contrário é que estaria certo...

2. O conceito de "edifício-monumento" é uma bela ideia para encher o olho e esvaziar os cofres da autarquia. Todos sabemos em que deu este conceito nas várias experiências por esse país fora, a começar na Casa da Música do Porto, passando pelos belos Estádios de Futebol do Euro 2004, agora às moscas. Custos astronómicos na construção, custos de manutenção incomportáveis. É isto que interessa a Torres Vedras?
Não somos contra uma arquitectura de qualidade que marque o nosso tempo. Mas a arquitectura, quando de encomenda pública, deve estar ao serviço de um contexto sócio-cultural bem definido, participado e respeitador dos meios financeiros disponíveis.
Ora, nada disso se verifica com o presente projecto: oferecido (oferecido!) ao Município por um  ateliê de arquitectos, sem contributos conhecidos e sem ter em conta os severos constrangimentos financeiros actuais e futuros.

3. O projecto apresenta-se com "o mérito de requalificar todo o espaço interior do Forte da Forca" Quem isto escreveu conhece bem o lugar?  O Forte da Forca é uma estrutura auxiliar dos dois Fortes dominantes (S. Vicente e Olheiros), sobranceira à estrada, de pequena dimensão e já muito degradada. Basta lá ir e ver. A chamada "praça de armas" é  um espaço reduzido, apertado entre um fosso escavado na rocha, a norte, e uma ravina natural mas já alterada pela construção da Linha de Caminho de Ferro e pela "passagem superior", a sul. Lá dentro não há espaço para construção nenhuma nem passaria pela cabeça de ninguém construir algo no interior para o requalificar.
Se há lugar para a construção de um edifício é "nas traseiras" do Forte, mas de novo é preciso lá ir para perceber como o espaço é acanhado,  apertado entre uma feia ravina escavada recentemente no lado poente, destinada a ancaixar mais um hiper-mercado,  e a encosta natural do lado nascente.
Sim, poderá construir-se um pequeno edifício, mas onde caberão os acessos amplos e os necessários parques de estacionamento para automóveis e autocarros?

Por tudo isto nos parece que este projecto não passa disso mesmo. Não conseguimos lobrigar qualquer articulação entre o que se projecta e a realidade em que devia concretizar-se.
Os seus autores sabem-no bem, estamos certos. Fizeram um belo exercício de arquitectura - já premiado em diversas instâncias, ao que sabemos. Mas do exercício à prática vai a distância que a vida real impõe.


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MOEDA COMEMORATIVA

Bicentenário das Linhas de Torres (AG Proof)

 






No dia 17 de Novembro de 2010 decorreu, nas Caves Manuelinas do Museu Militar em Lisboa, uma cerimónia evocativa do bicentenário da Guerra Peninsular, onde foi apresentada a Moeda de Colecção Comemorativa do Bicentenário das Linhas de Torres, da autoria do escultor José João de Brito.

A moeda de colecção «Bicentenário das Linhas de Torres» celebra o conjunto de fortificações e outras defesas mandadas erigir durante as invasões francesas para a defesa da cidade de Lisboa. A ordem de construção desta linha defensiva foi dada por Arthur Wellesley, duque de Wellington.
A Norte do Tejo foi construída uma barreira com três linhas defensivas, que aproveitava as formações naturais do terreno, nas quais foram construídas fortificações e implantadas bocas-de-fogo de artilharia.
No reverso da moeda o autor representa a figura de um oficial com uniforme da época das invasões napoleónicas e uma peça de artilharia que se sobrepõem a um diagrama das Linhas de Torres. Entre as duas linhas aparece assinalada a localidade de «Peronegro», posto de comando do general Duque de Wellington, vencedor da batalha das Linhas de Torres. No anverso o escudo português, o valor facial e «ninhos» de bombardas.
A moeda é da autoria de José João de Brito, tem o valor facial de 2,5 Euro, e tem limite de emissão de 120000 moedas em cuproníquel e 5000 em prata com acabamento proof.

Código:                 1016897
Escultor:               José João de Brito
Série:                    Emissões Especiais
Data de Lançamento:        Novembro de 2010
Valor Facial:         2.50
Metal:                   Prata 925/1000
Acabamento:       Proof (Prova numismática)
Diâmetro:             28,00 mm
Limite de Emissão:            5000
Embalagem:         Estojo de madeira com Certificado de Garantia
Peso:                     12 g
Preço:                   46,38 Euros
Observações:       Bordo serrilhado

(iNFORMAÇÕES RECOLHIDAS EM: IN-CM

A apresentação em Torres Vedras teve lugar no dia 9 de Dezembro, conforme se pode ver: http://www.linhasdetorresvedras.com/programa/?id=170

25/11/10


COMEMORAÇÕES


ALENQUER


Dramatização "Alenquer libertada - Novembro 1810", da autoria de António Rodrigues Guapo

27 Novembro, 21 horas

Pavilhão Municipal de Alenquer


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LOURES

Inauguração do Circuito Alrota/Arpim – Reduto da Ajuda Grande e Forte do Arpim


27 de Novembro
14h00
Largo Espírito Santo, em Bucelas